COMENTÁRIOS

Queridas mãe,

É sempre um prazer receber e compartilhar seus comentários à respeito dos post x suas experiências e dúvidas, todos sempre são publicados com muito orgulho, mas peço um enorme favor : NÃO MENCIONEM MEDICAÇÕES em seus comentários pois não poderei publicar. Não somos médicas e sim mães. Somente um médico pode receitar medicamentos e às vezes um remédio que é excelente para uma criança não faz efeito em outra podendo causar mais danos do que melhora.
Sei que posso contar com a compreensão e ajuda de vocês.

Obrigada por acreditarem nas minhas palavras e por compartilha-las.

Bj

Vivian Braunstein

PARA REFLETIR

Uma vez Fernanda Montenegro respondeu à Marília Gabriela que ser mãe é não dormir nunca mais. Concordo e acrescento: ser mãe é não parar de se preocupar nunca mais. Toda mãe é um pouco médica para cuidar, um pouco engenheira para construir com Lego, um pouco escritora para inventar histórias na hora de dormir, um pouco professora na hora de ensinar e muito mãe na hora de amar.







sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Quando os pais se separam

Ao ter um filho, o casal deve estar consciente de que uma criança (que não pediu para vir ao mundo) precisa de amor, proteção, educação e regras para crescer saudável e tornar-se um adulto equilibrado.

Hoje é cada vez mais comum a participação do pai na criação dos filhos e está cada vez mais claro que um ambiente familiar estruturado promove crianças psicologicamente saudáveis. Na teoria tudo é lindo, mas na prática nem sempre as coisas funcionam desta forma.

Com a evolução da sociedade e as conquistas femininas, a mulher adquiriu independência financeira e perdeu o medo de separar-se quando o casamento não está mais dando certo; o que traz uma nova realidade familiar : A de uma criança com duas casas.

Escutei recentemente de um pai, que na maioria dos casos de divorcio, o homem casa-se novamente e tem outros filhos constituindo nova família. Então, como proceder para que este processo não crie problemas emocionais futuros ?

Primeiro é preciso entender o que acontece na cabeça da criança quando ocorre a separação : Antes dos 6/7 anos ela é egocêntrica e acredita ser sua a culpa do fracasso do relacionamento dos pais. Se estiver na fase edipiana, piorou, pois vê seus desejos se tornarem realidade. Muitas vezes ela regride nas conquistas da autonomia, torna-se agressiva ou introspectiva, “pegando as dores” do cônjuge que parece ter sido abandonado (principalmente se o outro casar-se logo).

É necessário muito cuidado para ajudá-la a superar a ruptura de uma relação parental. Primeiro, é preciso ter em mente que o casal deixou de ser marido e esposa, mas jamais deixará de ser pai e mãe e a criança deve ficar sempre de fora das negociações e brigas judiciais, afinal ela não tem nada a ver com a relação homem-mulher dos pais.

Como na maioria dos casos de separação, a guarda dos filhos fica com a mãe, o pai não deve sumir (ele separou-se da esposa e não deles), mantendo uma rotina de encontros (estabelecida pelo ex-casal ou juiz) e obrigando-se a cumpri-la. A pior situação para uma criança é ficar sentadinha, pronta, esperando por um pai que não aparece, ou que aparece dias depois com uma desculpa esfarrapada. Importantíssimo : por mais que os adultos recomponham sua vida, não podem esquecer que seu filho (a) faz parte dela e que devem ter tempo em suas agendas para ele (a). O mesmo vale para situação inversa, quando a guarda é do pai. Filhos precisam sentir-se queridos, independente de quantas casas tenham.

É importante também, que a imagem dos pais seja preservada, pois continuarão a ser o modelo de comportamento, por isso nada de falar mal do outro, nem bagunçar a vida das crianças, mesmo que estejam em litígio. Isso não ajudará nas negociações do divorcio e aumentará a angustia delas, que terão que conviver com o dualismo entre o amor e ódio que os rodeiam no momento.

Muitas mães abrem mão da sua felicidade em prol dos filhos “traumatizados”, mas segundo especialistas, a recomposição da família em conseqüência de um segundo casamento pode ser benéfica já que traz uma nova reconfiguração familiar. Porém padrasto e madrasta não devem interferir em decisões exclusivamente parentais como assuntos escolares e médicos. Este tipo de interferência é muito comum, afinal trata-se de um assunto pessoal do cônjuge. Cuidado ! Por mais amor que um padrasto ou madrasta possa ter pelos filhos de sua parceira ou parceiro; quando a criança tem pai e mãe vivos a responsabilidade é deles. Cabe aos primeiros auxiliarem na educação e modelo de comportamento, principalmente porque os sentimentos da criança são ambíguos em relação a eles. Ao mesmo tempo em que sente afeição, acredita estar “traindo” seu pai /mãe por estar substituindo alguns momentos felizes que poderia estar passando junto com ele (a).

Não é fácil separar-se quando existem outras vidas envolvidas, e por isso, muitos casais mantêm-se juntos mesmo desejando secretamente estarem separados. Apesar do turbilhão de sentimentos conflitantes que aparecem com uma separação é preciso entender que as crianças precisam de serenidade e atenção para superarem esta etapa de suas vidas e seguirem com suas conquistas de forma saudável e equilibrada.

Referências :
Mil dicas para entender seus filhos de 0 a 7 anos -Harry Ifergan e Rica Etienne

Manual de mães e pais separados - guia para a educação e a felicidade dos filhos - Marcos Wettreich



Bjs e boa sorte

Vivian Braunstein

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Violência Infantil e Bullying


O caminho da sociabilização e do aprendizado não é nada fácil para uma criança. Indo cada vez mais cedo para a “escollinha”, estamos criando a geração “filhos da creche” e este fato traz conseqüências positivas e negativas ao mesmo tempo.

Socializando cada vez mais cedo, a criança passa por algumas etapas que requerem observação. É comum uma criança de 1,5 anos morder na disputa por objetos ou pela atenção de um adulto, pois ainda não consegue verbalizar seus desejos nem compreender os desejos do outro (egocentrismo). Já a partir dos 3 anos quando a fala está estruturada, ela aprende a “negociar”.
A partir dos quatro anos quando tem um repertório mais complexo, pode utilizar a fala para atingir outras crianças que sejam diferentes do grupo.

Hoje, com o acesso a informação cada vez mais fácil, uma menina que não “é princesa” e não liga para Barbie ou um menino que não monte em tudo e não saiba quem é o Ben 10 podem ser excluídos do grupo num estalar de dedos.

Ouvi relatos de mães sobre as “panelinhas” intransponíveis que suas filhas haviam formado, deixando outras de fora. Já os meninos amadurecem mais lentamente e nesta idade estão cheios de hormônios o que faz com que alternem o bater ao dialogar. Tem épocas que são “quase adultinhos” e outras voltam a ser “quase bebês”.

Em ambos os casos, vemos o reflexo da violência: moral para as meninas e física para os meninos. A preocupação deve ser a de evitar que estas atitudes sejam recorrentes, pois podem se transformar em Bullying na fase seguinte (dos 7 aos 18 anos).

Sem tradução para o português, o Bullying é o comportamento agressivo que ocorre contra o outro sem motivos justificados. Ameaças, assedio moral, agressões físicas e verbais que coloquem a outra criança em situação de desconforto, normalmente na frente de outras crianças. Este comportamento sempre existiu, mas recentemente psicólogos, educadores e pais têm se preocupado mais devido às conseqüências como a queda de rendimento escolar e em casos mais raros o suicídio.

Como evitar o Bullying na infância ?

Controlando a agressividade na pré-infância. Nesta fase a criança ainda enxerga nos pais a referência e contam o que acontece na escola. Seu comportamento também é bem transparente, ou seja, ela fará na sua frente exatamente o mesmo que faz pelas suas costas, por isso fica fácil conhecer o comportamento de seu filho e orientá-lo enquanto ele ainda escuta seus conselhos como se fossem verdades quase absolutas.

Crianças que excluem e são excluídas acabam tendo problemas de relacionamento, insegurança ou excesso de autoconfiança na fase adulta. Precisamos lembrar que a base da personalidade do indivíduo é formada até os 6 anos e depois é preciso um trabalho de auto-análise muito forte para mudar alguns comportamentos adquiridos deste período.

Segurar a mão e a língua de uma criança também fazem parte do educar. A maioria dos profissionais aconselha a conversar, a dar amor e impor limites claros, aos invés de bater e por de castigo; comportamentos que podem reforçar a violência infantil.

Caso seu filho / filha sofram com a discriminação, é preciso reforçar sua auto estima e orientá-lo a buscar uma participação no grupo ou juntar-se a outro grupo.

Não é fácil para eles e não é fácil para nós. Ninguém quer ver seu filho excluído ou excluindo alguém. Cabe a nós darmos o exemplo e mostrarmos que há crescimento com a diversidade. E só assim estaremos preparando nossas crianças para uma vida saudável e estruturada.

Bjs e boa semana

Vivian Braunstein

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Scooby Doo, Penelope Charmosa e outros veteranos

Foto:http://www.letsvamos.com/letsblogar/wp-content/uploads/2006/12/hannabarbera.jpg


É interessante como existem personagens que nunca saem de moda e outros que vão e voltam fazendo enorme sucesso. É o caso do Pica-Pau, resgatado pela Rede Record e pelo Cartoon Network (houve um período em que passavam no mesmo horário), Popey, resgatado pelo Habbib’s e mais recentemente a superfeminina Penélope Charmosa, transformada em boneca pela Estrela, talvez buscando ocupar o lugar que um dia foi da Susi, resgatada recentemente pelo mesmo fabricante.

O que estes desenhos têm de especial para atrair a atenção da garotada? Primeiro estão na memória de muitos pais, o que é um endosso poderoso, depois mostram como os espertos, mesmo pequenos, conseguem vencer os malvados. De todos talvez o Pica-Pau e o Jerry (do Tom e Jerry) sejam os mais polêmicos, e deixem nossos filhos um pouco mais levadinhos, mas um pouco de “arte” faz bem, desde que dosada; ou seja, tem que haver limites. Brincar que os bonecos briguem é uma forma de extravasar os conflitos, já chutar a canela da tia idosa é completa falta de educação.

A Penélope carrega o padrão sonhado por muitas meninas, ou seja, é feminina, ousada, esperta e boazinha. Que mãe com mais de trinta e tantos anos não quis um carro cor-de-rosa com batom que saía do porta-luvas e passava sozinho? Hoje produtos licenciados e desenhos animados andam de mãos dadas, mas mesmo sem grande visibilidade, Penélope tem chances de “pegar”, assim como as princesas ou a Barbie.

Pelo outro lado um grupo legal que não sai da grade (SBT e Cartoon) é a turma do Scooby Doo. Além do desenho ser uma delícia, por envolver mistérios e suspense, mostra um grupo completamente eclético, o que faz com que a criança entenda e aceite a sociabilização na diversidade. Jovens com perfis completamente diferentes se juntam para desvendar mistérios recheados de muito humor. Crianças pequenas, quando criadas abertamente e sem preconceitos para sociabilidade, não enxergam esta diversidade, mas é um reforço na idéia de que todos podem ser amigos mesmo sendo diferentes.

Enquanto a criança é pequena ela precisa destes modelos para se expressar. Meu filho já quis ser o Pedrinho do Sítio do Pica Pau Amarelo, o Superman, O Batman, o Indiana Jones e agora o Fred do Scooby.

O que todos estes personagens tem em comum? São importantes porque fazem coisas boas e acabam recompensados.

Para as meninas a mesma coisa. Querem ser a Branca de Neve, a Cinderela, a Barbie e talvez a Penélope, pois elas são personagens de fibra, que também são recompensadas no final.
Estereotipo ou hormônios? Já li que por volta dos 4 anos os hormônios estão em ebulição. É a “bebecência”, a adolescência infantil. Meninas são sociais e meninos são agitados, e estes personagens em maior ou menor grau são um reflexo disto.

A maioria os desenhos de Hanna-Barbera, conseguem captar bem a essência infantil, mesmo com as mudanças sócio-tecnológicas dos últimos 20 anos; e por isso ainda fazem sucesso. Flinstons e Jetsons mostram um modelo de família que não existe mais em muitos lares, mas retratam alguns conflitos atuais com bom humor.

É uma pena que o Cartoon, detentor dos direitos sobre o acervo dos estúdios Hanna-Barbera, esteja deixando de lado a fórmula que o consagrou, de mesclar desenhos consagrados aos horríveis desenhos escatológicos, apesar dos consagrados ainda aparecerem timidamente na grade, provavelmente porque o canal percebeu que está “herdando” as crianças com menos de 6 anos “que mudaram de fase” e não querem mais assistir ao Discovery Kids (mesmo gostando muito de alguns programas como Mister Maker e Lazytown) ou talvez para apaziguar as duras críticas que sofreu nos últimos anos, por causa de seus slogans como “a gente faz o que quer”. (Hello, isso é de enlouquecer qualquer pai!!!!).

De qualquer forma criança que desenvolve a imaginação tem maiores chances de se transformar num adulto criativo e conciliador de conflitos, por isso não custa assistir.

Bjs e boa semana

Vivian Braunstein

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Dia dos professores

Foto : Sociedade dos Poetas Mortos e o Sorriso de Monalisa

Como dia 15 de outubro é o dia dos professores achei importante homenagear estes profissionais que auxiliam no cuidado de nossos filhos, independente da idade que eles tenham. Ser professor é ser especial, pois aquele que compartilha de seu conhecimento com paciência e dedicação merece todo nosso respeito.

Recebi um viral (e-mail que a gente recebe e repassa e não sabe direito de onde se originou) que reflete bem como a relação pais & mestres mudou, quando compara a postura dos pais da década de sessenta que puxavam a orelha do filho quando o boletim vinha com notas vermelhas e a postura atual dos pais que puxam a orelha do professor quando isto acontece. Voltamos a cair na velha história da superproteção e falta de imposição de limites para compensar a ausência e falta de paciência dos pais com os filhos.

Realmente algumas vezes o problema está no profissional, mas muitas vezes está na falta de entendimento da família de que seu filho pode ter algum problema. Escutei de uma mãe, sobre uma criança de 4 anos que tinha medo de bruxa e ela (mãe) gostaria que a professora parasse de contar histórias aonde aparecesse este personagem, para que sua criança parasse de ter pesadelos. Ora, crianças de 4 anos tem pesadelos, mesmo que os pais façam todos os esforços para protegê-las. É a fase dos conflitos e eles serão colocados para fora de alguma forma, com ou sem bruxas. Provavelmente a professora quis estimular a fantasia para que seus alunos pudessem lidar melhor com este tipo de conflito.

Em outro caso escutei de uma mãe que a maioria das crianças estava com dificuldade de aprendizado numa determinada matéria. Provavelmente, neste caso, o problema fosse a didática da professora.

Numa discussão grupal entre os pais, sobre o que dar de presente para os professores, foi um professor que deu a melhor resposta ao mandar, via agenda, um presente de dia das crianças acompanhado de uma carta. Dois balões uma moeda e uma porca. Era para colocar a porca e a moeda dentro dos balões, encher e se divertir com os barulhos e movimentos. Achei genial o resgate do fato de “dar” independente do que. Meu filho se divertiu à beça mesmo quando estourou os balões (a maior diversão de todas).

Acredito que o simples fato de ser homenageado mostra ao professor o quanto ele está sendo recompensado por sua dedicação. Por isso meu sincero obrigada à estes profissionais que se dedicam a ensinar, a pensar, a conviver a sermos pessoas melhores. Independente da idade dos alunos e do curso aonde ministram, parabéns !!!!!!!!

Bjs e boa semana.

Vivian Braunstein

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Seu filho / filha quer outra mãe ?

Se alguma vez você ouviu de seu filho/ filha “Não quero mais você, quero outra mãe”, não se desespere. “Coraline e o Mundo Secreto” nele / nela.

Não entendeu? “Coraline e o Mundo Secreto” é um desenho animado, meio gótico, quase sombrio, de 2009 dirigido por Henry Selick, numa adaptação do romance de Neil Gaiman de 2002, e conta a história de uma menina que sentindo-se ignorada pelos pais quando mudam-se para uma apartamento antigo e reformado, encontra uma porta secreta que a leva a um mundo quase igual aos seu. Porém neste mundo seus pais, com botões no lugar dos olhos, fazem tudo o que ela deseja. As fichas caem de que alguma coisa não está certa, quando ela descobre que a “outra mãe” não é bem o que parece ser.

Numa cena marcante, quando seus pais verdadeiros somem, ela coloca alguns objetos pessoais deles nos travesseiros enrolados e dorme com os “bonecos” que fez.

É um filme que faz a criança pensar: “Não quero outra mãe, a minha pode não me deixar fazer tudo, mas me ama de verdade” porque a “outra mãe” no filme é um monstro. Lliteralmente.

Quando a criança começa a andar, inicia o processo de conquista da autonomia e em alguns momentos enxerga a mãe, que antes fazia absolutamente tudo por ela, como uma barreira. Por outro lado, mais ou menos a partir dos 2 anos inicia a fase do complexo de Édipo (acontece com meninos e meninas) e seu relacionamento com ambos os pais passa a ser conflitante. É conflito demais para tão pouca maturidade.

Apesar de Coraline ter por volta de 8 anos, o filme cai como uma luva para crianças menores. A busca pela autonomia e pelo poder, o testar os limites, os sentimentos conflitantes em relação aos pais, e todos os percalços que passamos são muito bem ilustrados no filme. Numa cana, a menina vai com a mãe verdadeira comprar uniforme. Todas as roupas que a mãe escolhe são monocromáticas e a menina quer um par de luvas coloridas para ir à escola. Ela fica muito frustrada quando a mãe diz não. Como escape, ao chegar na outra casa, a outra mãe lhe dá de presente uma roupa nova, toda colorida. Esse tipo de mensagem atinge parcialmente crianças pequenas, mas elas se identificam. O Mundo Secreto de Coraline pode ser muito bem o mundo de fantasia para onde as crianças pequenas vão para resolver seus conflitos.

Quando meu filho começa a fazer birra e não quer obedecer, só pergunto se ele quer a outra mãe, igual a da Coraline. Não preciso nem dizer qual é a resposta.

No fundo toda criança quer regras e limites, ela precisa disto para se sentir segura. Por mais que queira tudo o que vê e pede, o faz porque sabe que não vai ganhar, e se ganhar, não dará valor. O pedir também faz parte do testar os limites. Por isso não fique triste quando seu filho / filha disser que quer outra mãe. Na verdade ele / ela quer espaço, mas também limites.

Talvez isto responda também a alguns questionamentos que recebi de pais sobre ter a Barbie como modelo. A criança frustrada, mas ao mesmo tempo segura, com os limites impostos pelos pais, precisa de um escape na fantasia. É melhor que seja a Barbie ou o Ben 10 do que uma outra mãe ou outro pai. Isso passa por volta dos 7 anos. E aí novos problemas aparecem. Mais uma vez: Ninguém disse que crescer é fácil e muito menos criar um filho.

Ficha Técnica:
Filme: Coraline e o Mundo Secreto. Henry Selick. 2009
Livro: Coraline. Gaiman, Neil. Rocco, 2002

Bjs e boa sorte.

Vivian Braunstein

sábado, 26 de setembro de 2009

Barbie - é cor de rosa choque !!!!!!!!!!

Foto : - blogs.jovempan.uol.com.br/.../03/barbie-2009.jpg

Um amigo querido, que tem três filhas, veio reclamar que só escrevo sobre assuntos de meninos. Como este blog procura ser democrático e de utilidade para qualquer pessoa que crie uma criança (ou mais), independente de ser menino ou menina, esta semana vou compensar o post da semana passada (predominantemente um assunto masculino) e vou escrever sobre um assunto feminino. Sua sugestão foi que eu escrevesse sobre a Barbie, boneca que exerce fascínio em meninas de todas as classes sociais no mundo todo (ou quase).

Barbie é uma boneca criada no final da década de 50, graças à visão de uma mãe marketeira que percebeu nas brincadeiras da filha Bárbara (daí o nome, apelido da menina) espaço para a fabricação da primeira boneca com perfil de adulto. O que garantiu a longevidade da boneca, que fez 50 anos este ano, foi a associação do trabalho primoroso de marketing da Mattel com a evolução dos modelos oferecidos, acompanhando as evoluções da sociedade. Ou seja, as bonecas vendidas hoje, só têm em comum com suas antecessoras, o nome e as características básicas como feminilidade, correção de caráter, amor e amizades e sucesso.

Como uma mulher moderna, Barbie foi à luta. Dirigindo seu carrão, com celular e note book na mão, é executiva de multinacional. Porém esta imagem pode se dissolver no momento que a menina abre a caixa. Isso porque ela projeta na brincadeira a sua visão do mundo e a personalidade que aspira ter, e por isso a executiva pode transformar-se num segundo em atriz ou professora. No fundo o que atrai é a característica original da boneca, de mulher bonita e bem sucedida.

Muitos psicólogos e pedagogos são contra o ícone Barbie por acreditarem que ela introduza as meninas precocemente no mundo adulto e remetam a temas como sexualidade, futilidade e valores distorcidos, como preocupação com moda e aparência. Por outro lado há vários profissionais que defendem a importância real da boneca.

O que é preciso analisar é o fato de que a criança entra na fase da fantasia e da magia por volta dos 3 anos e precisa explorar e expressar este momento através das brincadeiras e da imaginação. Da mesma forma que meninos tendem à violência, meninas tendem ao glamour e por isso o sucesso dos contos de fadas (mais precisamente das princesas) até hoje, apesar do abismo cultural que separa a época em que forma escritos aos dias atuais.

A criança, na primeira infância está em busca da sua autonomia e muitas vezes se projeta no adulto que gostaria de ser. Não é melhor querer ser como a Barbie do que como Betty, a feia ? Ambas tem bom coração, mas uma é maravilhosa e a outra é uma pobre coitada.

A primeira infância é a melhor fase na vida de uma pessoa, quando é permitido sonhar. É a partir dela que formamos nossa personalidade e nossos valores. A magia e a fantasia fazem parte desta etapa e é por isso que não se conta à criança com menos de sete anos que Papai Noel não existe. A alegria desta fase pontua a forma como a pessoa irá encarar os desafios no futuro.

É claro que cabe aos pais ou responsáveis conduzir qualquer fase da vida dos filhos com moderação, mas não com severidade medieval. Estamos preparando cidadãos para um mundo melhor e não para Guerra dos 100 anos.

Por isso, não se preocupe se sua filha brinca de Barbie e quer ser princesa, ela só está expressando seus conflitos de crescimento, assim como os meninos falam palavrões, mostrando que são capazes de controlar seu corpo. Elas querem mostrar que são capazes de controlar seus sonhos.

Fonte :
As Bonecas da Contemporaneidade: Representações Midiáticas da Identidade Feminina. Disponível em : http://www.fazendogenero7.ufsc.br/artigos/H/Heberle-Almeida_02.pdf (26/09/09)
O Licenciamento de Marcas Estudo de Caso: Mattel do Brasil – Marca Barbie. Disponível em : http://www.ead.fea.usp.br/Semead/10semead/sistema/resultado/trabalhosPDF/48.pdf (26/09/09)
Barbie. Disponível em :http://pt.wikipedia.org/wiki/Barbie (26/09/09)


Bjs e boa sorte

Vivian Braunstein

domingo, 20 de setembro de 2009

Palavrões, escatologias e outros bichos


Dos dois aos 4 anos a criança aprende a controlar as funções fisiológicas o que é um passo muito importante na conquista da autonomia. Ao final deste ciclo ela começa a descobrir o próprio corpo e a explorar os sons que ele emite. É quando surge a fascinação por arrotos e puns bem como pelas palavras “bunda” e “pinto”.

Alguns psicólogos sugerem que a criança sente prazer ao dizer estas palavras e a ter estas atitudes, enquanto outros afirmam que esta é uma forma de desafiar aos pais. Talvez sejam os dois.

É nesta fase também, que a criança começa a falar palavrões, como forma de chamar a atenção e para expressar seus sentimentos. Ela aprende por imitação e apesar de não saber o que a maioria significa repete por compreender o “significado emocional” das palavras e as reações que provoca, ou seja, ela entende o “conceito” do palavrão mesmo sem saber o que é.

Durante a primeira infância, as influências mais fortes são a dos pais ou responsáveis. Ao ingressar na pré-escola repete as atitudes dos amigos como forma de ingressar nos grupos sociais. A repetição surge a partir dos responsáveis e/ou dos amigos.

Segundo o livro Mil dicas para entender seu filho de 0 a 7 anos, quanto maior a necessidade de sentir-se “limpo”, ou seja ter o controle fisiológico, maior a sujeira do vocabulário da criança, sendo esta máxima uma necessidade ao desenvolvimento infantil. Os autores colocam ainda, que todo este processo acontece no jogo do simbolismo. Como faz parte do crescimento, resta aos pais orientarem a criança aonde podem ou não se expressar.

Quando meu filho começou a falar alguns palavrões, procurei explicar o significado de forma que ele entendesse (sem conotações sexuais complexas) e pedi que não falasse. Realmente, na frente dos outros ele mantém o controle, mas em casa a história é outra. Tudo bem, desde que só em casa.

A maioria dos psicólogos não recomenda a proibição. Nesta idade a criança sente-se dividida entre agradar aos pais e contrariá-los em benefício de sua autonomia; por isso uma proibição confundirá ainda mais sua cabecinha e provavelmente a necessidade de autonomia e oposição aos pais vencerá. E a situação se inverterá : ao invés de falar escatologias em casa e se comportar na rua ele será um “santo” em casa e um “desbocado” na rua.

Apesar de terem motivos diferentes as atitudes nojentas e os palavrões são comuns às crianças pequenas e não significam que os pais não lhes dão educação. A psicologia moderna sugere sempre que os pais estejam ao lado dos filhos e conversem com eles orientando e ajudando a resolver os conflitos do desenvolvimento.

A nós pais, só resta a pergunta: Quando eles irão parar de nos desafiar ?

Deixo a dica de dois livros aonde encontrei as informações para este post. Pareceram interessantes, mas não li nenhum dos dois inteiros, somente os capítulos referentes a este assunto.

Mil dicas para entender seu filho de 0 a 7 anos - Harry Ifergan e Rica Etienne. Ed. Jorge Zahar, 2001.

Aprenda a ler seu filho – Lynn Weiss. Coleção Pais e Filhos, 2002.

Bjs e boa semana.

Vivian Braunstein