terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Alice não mora mais aqui – Minecraft tomou o seu lugar
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Elogie do jeito certo
Imagem :http://www.sxc.hu/profile/bian0821
O grupo A foi elogiado quanto à inteligência. “Uau, como você é inteligente!”, “Que esperta que você é!”, “Menino, que orgulho de ver o quanto você é genial!” ... e outros elogios à capacidade de cada criança.
O grupo B foi elogiado quanto ao esforço. “Menina, gostei de ver o quanto você se dedicou na tarefa!”, “Menino, que legal ter visto seu esforço!”, “Uau, que persistência você mostrou. Tentou, tentou, até conseguir, muito bem!” ... e outros elogios relacionados ao trabalho realizado e não à criança em si.
Depois dessa fase, uma nova tarefa de dificuldade equivalente à primeira foi proposta aos dois grupos de crianças. Elas não eram obrigadas a cumprir a tarefa, podiam escolher se queriam ou não, sem qualquer tipo de consequência.
As respostas das crianças surpreenderam. A grande maioria das crianças do grupo A simplesmente recusou a segunda tarefa. As crianças não queriam nem tentar. Por outro lado, quase todas as crianças do grupo B aceitaram tentar. Não recusaram a nova tarefa.
A explicação é simples e nos ajuda a compreender como elogiar nossos filhos e nossos alunos. O ser humano foge de experiências que possam ser desagradáveis. As crianças “inteligentes” não querem o sentimento de frustração de não conseguir realizar uma tarefa, pois isso pode modificar a imagem que os adultos têm delas. “Se eu não conseguir, eles não vão mais dizer que sou inteligente”. As “esforçadas” não ficam com medo de tentar, pois mesmo que não consigam é o esforço que será elogiado. Nós sabemos de muitos casos de jovens considerados inteligentes não passarem no vestibular, enquanto aqueles jovens “médios” obterem a vitória. Os inteligentes confiaram demais em sua capacidade e deixaram de se preparar adequadamente. Os outros sabiam que se não tivessem um excelente preparo não seriam aprovados e, justamente por isso, estudaram mais, resolveram mais exercícios, leram e se aprofundaram melhor em cada uma das disciplinas.
No entanto, isso não é tudo. Além dos conteúdos escolares, nossos filhos precisam aprender valores, princípios e ética. Precisam respeitar as diferenças, lutar contra o preconceito, adquirir hábitos saudáveis e construir amizades sólidas. Não se consegue nada disso por meio de elogios frágeis, focados no ego de cada um. É preciso que sejam incentivados constantemente a agir assim. Isso se faz com elogios, feedbacks e incentivos ao comportamento esperado.
Nossos filhos precisam ouvir frases como: “Que bom que você o ajudou, você tem um bom coração”, “parabéns meu filho por ter dito a verdade apesar de estar com medo... você é ético”, “filha, fiquei orgulhosa de você ter dado atenção àquela menina nova ao invés de tê-la excluído
como algumas colegas fizeram... você é solidária”, “isso mesmo filho, deixar seu primo brincar com seu video game foi muito legal, você é um bom amigo”. Elogios desse tipo estão fundamentados em ações reais e reforçam o comportamento da criança que tenderá a repeti-los. Isso não é “tática” paterna, é incentivo real.
Por outro lado, elogiar superficialidades é uma tendência atual. “Que linda você é amor”, “acho você muito esperto meu filho”, “Como você é charmoso”, “que cabelo lindo”, “seus olhos são tão bonitos”. Elogios como esses não estão baseados em fatos, nem em comportamentos, nem em
atitudes. São apenas impressões e interpretações dos adultos. Em breve, crianças como essas estarão fazendo chantagens emocionais, birras, manhas e “charminhos”. Quando adultos, não terão desenvolvido resistência à frustração e a fragilidade emocional estará presente.
Homens e mulheres de personalidade forte e saudável são como carvalhos que crescem nas encostas de montanhas. Os ventos não os derrubam, poiscresceram na presença deles. São frondosos, copas grandes e o verde de suas folhas mostra vigor, pois se alimentaram da terra fértil.
Que nossos filhos recebam o vento e a terra adubada por nossa postura firme e carinhosa."
Bjs e boa sorte
Vivian Braunstein
sábado, 27 de março de 2010
Isabella Nardoni
Fonte : http://centraldenoticias.files.wordpress.com/2008/04/isabella.jpgMais comum do que se imagina, a figura da madrasta é normal em vários lares brasileiros, e faz pensar se uma mulher consegue criar como seu o filho de outra mãe presente. Diferente da adoção onde ambos os pais desejam um filho que não podem ter por motivos biológicos, a madrasta recebe no pacote filhos que talvez não deseje.
A mídia noticiou que Anna Jatobá tinha ciúmes, e pela reconstituição da polícia ela foi a agressora que causou o desfalecimento da menina, que culminou no assassinato.
A sociedade precisa desmistificar a máxima de que toda mulher nasceu para ser mãe. Conheço mulheres que são péssimas mães e não fazem questão de mudar isso, como também conheço mulheres que dariam mães maravilhosas, mas não tem oportunidade para ser.
Uma coisa é certa, cuidar de criança não é nada fácil. Lindas e fofinhas, são pessoas em busca de espaço e os pais são a primeira “barreira” nesta conquista. Sem maturidade para lidar com a situação, enfrentam e provocam muitas vezes tirando do sério adultos que também não têm maturidade e preparo para lidar com a situação. Talvez tenha sido este o caso da família Nardoni.
Não os defendo, muito pelo contrário, acho justíssima a condenação, mas acho que além da sensação social de justiça feita, este caso deviria servir de exemplo e reflexão. Vai além da discussão sobre bater para educar, que alimentou a mídia há dois anos, e deve nos fazer pensar em como as relações atuais estão mudando toda a estrutura familiar e em como nós pais vamos lidar com isso daqui para frente.
Quando um adulto aceita casar-se com alguém que já tem filhos precisa preparar-se para isto. Na cabeça da criança, pai e mãe deveriam morar na mesma casa, por isso além das atitudes de oposição normais da idade, a criança certamente direcionará sua frustração para madrasta ou padrasto. Sem contar a imagem enraizada da vilã dos contos de fadas, criada para preservar a imagem da mãe. Às vezes é preciso auxílio profissional de um psicólogo para entender como não cair no jogo da criança.
No fundo faltou jogo de cintura para Anna Jatobá e Alexandre Nardoni ao lidarem com Isabella, o que culminou numa tragédia que talvez pudesse ter sido evitada.
Conheço outras mulheres que cuidam dos filhos do primeiro casamento do marido e todas tem a mesma reclamação de que as crianças as enfrentam e as desafiam, pois vem com outros costumes da casa da mãe, ou dizem que vem.
Sempre enfatizo a dificuldade de criar uma criança, ouço sempre mães reclamando, e a influência externa é cada vez mais forte (amigos de escola, TV, internet). Por isso paciência (às vezes difícil de ter) ainda é o maior remédio.
Uma madrasta nunca substituirá a figura materna na cabeça da criança, e isso deve ficar claro para ela e para criança. Não dá para exigir que a criança goste mais dela do que da mãe (por pior que a mãe seja), mas é possível acomodar a situação de forma harmônica se as pessoas tiverem consciência de seu papel dentro da estrutura familiar.
A madrasta deve se comportar como a professora da escola, auxiliando na educação com carinho e sendo firme quando necessário. Não deve esperar que a criança que não é sua e que tem mãe presente a considere como mãe. Nós temos pensamentos e sentimentos complexos, mas as crianças não. Na primeira infância, a ligação com a mãe é muito forte, e não será quebrada por mais que a mãe biológica pise na bola.
No geral, não devemos jogar nossas expectativas e frustrações em nossas crianças. Elas precisam de orientação, mas também precisam de espaço, por isso exigir sentimentos e comportamentos incompatíveis com sua personalidade e características é se frustrar e frustrar a criança.
Se o casal Nardoni entendesse Isabella como ela era, percebendo que no fundo ela não aceitasse a situação de outra família, ou fizesse birra para chamar atenção, ou se Anna Jatobá não fosse tão egocêntrica e respeitasse o fato da filha do marido ter uma mãe que amava e que ela como madrasta deveria complementar a educação da menina e não substituir a mãe, talvez esta tragédia tivesse sido evitada.
Que fique a lição para todos nós de que uma criança é uma pessoa em desenvolvimento que precisa ser entendida e respeitada e que a falta de compreensão, pode levar a uma situação irremediável.
Força Ana Carolina de Oliveira (mãe de Isabella).
Bjs e boa sorte
Vivian Braunstein
sexta-feira, 5 de março de 2010
Xixi na cama – Enurese
Segundo o site da Clinica Segir de Porto Alegre, a enurese ou o popular xixi na cama acontece com 40% a 50% das crianças de até 3 anos e 18% das crianças acima de 5 anos. Segundo vários especialistas, é uma situação comum em crianças de até 6 anos causada por motivos físicos ou emocionais.
No primeiro caso a enurese é temporária e pode refletir problemas de estresse e medo decorrentes de mudanças (casa, escola, babá), pressões na escola e uma rotina intensa, perdas (morte na família, perda de um cachorrinho), nascimento de um irmãozinho ou separação dos pais. No segundo, a origem pode ser genética, hormonal, por problemas no ritmo do sono, por bexiga pequena e imatura, por infecção e ou lesões do trato urinário, por problemas de coluna que possam interferir no controle da bexiga, por alergia alimentar ou por doenças mais sérias como anemia e diabetes.
Se seu filho / filha faz xixi na cama frequentemente não se desespere. Procure um médico para diagnosticar o motivo. É importante que a criança não seja hostilizada e repreendida pelos pais ou responsáveis por este motivo, pois normalmente o problema é de imaturidade da bexiga e passa por volta dos 7 anos.
Existem várias maneiras de tentar minimizar a enurese como remédios, homeopatia (devem ser receitados por um médico !!!!!!!!!!), exercícios simples e sistemas de incentivo. Ao invés de dar bronca quando a criança faz xixi na cama elogie ou faça uma tabela com estrelinhas cada vez que ela não fizer. Para uma criança pequena algumas etapas do crescimento são mais difíceis do que outras, por isso, todo estímulo positivo ajuda no desenvolvimento.
Algumas crianças fazem pequenas quantidades de xixi várias vezes durante a noite, enquanto outras encharcam a cama numa única vez; algumas fazem mais no inverno do que no verão. Tem crianças que fazem logo que adormecem enquanto outras no meio da noite e tem aquelas que fazem perto de acordar.
Não pense em voltar para as fraldas, isso constrange a criança e não soluciona o problema. Acordá-la no meio da noite para ir ao banheiro também não é uma boa idéia, pois desta forma ela não aprende a controlar a bexiga e aumentar seu volume. Tente dois exercícios simples que ajudarão no controle e maturação da bexiga :
Peça que a criança segure um minuto o xixi quando ela disser que deseja ir ao banheiro. Vá aumentando o tempo gradativamente. Assim ela aprenderá a ter controle por períodos mais longos.
Peça que a criança interrompa e retome o jato de xixi cada vez que for urinar. Desta forma ela aprenderá a ter controle sobre a urina.
Não tomar muito líquido após as 18h e fazer xixi antes de deitar também ajudam. Evite dar chocolate e café antes de dormir, pois segundo o pediatra Jorge Huberman do Hospital Albert Einsten de São Paulo, eles favorecem a contração da bexiga. Do ponto de vista prático tenha uma troca de pijama e roupa de cama sempre à mão. Use protetor de colchão e tenha dois travesseiros. Crianças com sono agitado, se mexem tanto que às vezes deitam-se por cima do travesseiro.
O importante é lembrar que o problema não é de mau comportamento e a criança não faz xixi na cama de propósito. Tenha paciência pois cada criança tem seu tempo. Se o problema não for de origem física, a enurese passará com o tempo.
Bjs e boa sorte.
Vivian Braunstein
Fonte:
http://www.saudeinformacoes.com.br/bebe_enurese.asp
http://www.hospitalanaliafranco.com.br/especialidades/urologia/enurese.htm http://www.segir.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=51&Itemid=39
http://drsergiospalter.blogspot.com/2008/05/xixi-na-cama-enurese.html
http://psicologiaesaudeverapsi.blogspot.com/2009_06_01_archive.html
http://www.saoluisweb.com.br/default/familia/541-fase-do-xixi-na-cama-tem-idade-certa-para-acabar-.html
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Criança não é mini adulto !
Foto: http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/foto/0,,6550098,00.jpgNo primeiro caso, cosméticos desenvolvidos para adultos podem causar alergia em crianças e salto alto pode trazer problemas de coluna em longo prazo ( OBS – amo salto alto, uso de segunda a sexta, mas só comecei a usar com 15 anos), já no segundo caso distorce os valores e antecipa problemas.
Mas o que pintar as unhas aos 7 anos pode trazer de problemas emocionais na adolescência ?
Porque agindo assim, temos crianças super estimuladas, pulando etapas e passando de engraçadinhas à chatinhas, pois aos 6-7 tudo é bonitinho, mas aos 12, comportamento de 18 não é legal.
Segundo Eliane Karsaklian, estudante do comportamento do consumidor, a criança apresenta comportamento de consumo que seus pais só tiveram 4 anos mais tarde, mas esta constatação pode ser estendida ao comportamento geral, por isso é comum ver crianças de 12 anos comportando-se como jovens de 16-18 anos. É o que os psicólogos chamam de achatamento da infância.
Hoje, por uma questão de aproximação e comparação, os pais tendem a tratar os filhos como mini adultos para terem “coisas em comum”. A mãe vai ao cabeleireiro no sábado com a filha de 7 anos e ambas fazem as unhas; o pai leva o filho de 6 à oficina e ensina tudo sobre mecânica. Onde foi parar o jogar bola e o brincar de casinha ?
Ver crianças de 12 anos falando de bebida, sexo, bulemia e homossexualismo como se fossem adultos, mostra as conseqüências desastrosas das “mini peruas” e “mini experts em mecânica”, pois nesta idade a criança ainda não tem maturidade para entender e assumir os desdobramentos destes atos e acaba se perdendo.
Por outro lado existem pais que sufocam o amadurecimento dos filhos. A criança que aos 6 ainda fica grudada na perna da mãe em eventos sociais ao invés de correr e brincar com outras crianças, aos 12 será destoante do grupo; aí a mãe irá infernizar-la para que cresça de uma hora para outra e seja descolada.
Os filhos são um reflexo do nosso comportamento com eles e com a sociedade. Somos o primeiro modelo a ser copiado, por isso é preciso coerência e discernimento para não gerar problemas futuros.
Bjs e boa sorte
Vivian Braunstein
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Problemas com o cocô ? Pode ser prisão de ventre.
Vamos começar do início. A maioria das mães, inclusive eu, tiram a fralda quando a criança começa a avisar que vai fazer xixi, por volta dos 2 anos, por achar que ela está preparada para controlar tudo da cintura para baixo. Pois descobri, tarde demais, diga-se de passagem, que se deve tirar primeiro a fralda do cocô, ou seja, treinar a criança a usar o penico primeiro para a evacuação das fezes para depois ensina-la a controlar a urina. Fica a dica para quem está começando o desfralde.
E se a retenção ou evacuação na fralda não é só um problema psicológico, de querer chamar atenção ou falta de aprendizado, o que poderia ser? Prisão de ventre.
Na criança a prisão de ventre não significa somente falta de evacuação e sim a dificuldade em evacuar, porque ela precisa esforçar-se para fazê-lo. Segundo Sofia Benini[1] “a constipação intestinal, ou prisão de ventre, acomete quase 30% das crianças de 1 a 12 anos, segundo dados da UFRJ, e representa o motivo de 3% das consultas pediátricas em geral”. Muitas vezes a criança sente-se mais confortável fazendo em pé e por isso não quer deixar a fralda.
Segundo especialistas, os sintomas abaixo são sinais de prisão de ventre:
1. Força para evacuação seguida ou não de dor
2. Fezes endurecidas, ressecadas e aumentadas
3. Longos intervalos de evacuação maiores do que 24h, ou seja, dois a três dias, o que faz com que a criança faça menos de 3 cocôs por semana.
4. Pequenos sangramentos junto com as fezes ou no momento da limpeza.
5. Mais de um escape de pouca quantidade de cocô líquido parecido com diarréia, mas que se deve às fezes endurecidas no intestino.
6. Criança que segura o cocô por medo da dor, do sangramento ou da sujeira (do cocô e/ou do banheiro).
A prisão de ventre pode ser momentânea ou crônica. No primeiro caso acontece devido às mudanças alimentares por causa de alterações na rotina como viagens, estadia prolongada na casa de parentes, ausência de um dos pais ou pela ingestão de certos medicamentos. Muitas vezes o motivo da retenção que leva a prisão de ventre pode estar associado ao vaso sanitário de um local diferente ao da casa, o que leva a criança a reter as fezes endurecendo-as e provocando a dor. É um condicionamento que precisa ser revertido. Por exemplo: uma vez que ela reteve as fezes por ter medo do vaso sanitário marrom (enquanto o da sua casa é branco) e sentiu dor, ela poderá associar o fazer cocô a dor, e manterá a postura de retenção. A pressão dos pais para que ela faça pode piorar a situação, fazendo-a imaginar que fazer cocô é a pior coisa do mundo, pois o vaso parece um monstro, a barriga e o bumbum doem e o papai e mamãe brigam com ela por causa disto. Neste caso use de subterfúgios lúdicos. Eu “chamei” a fada do cocô, que com seu pozinho mágico ajudou meu filho a fazer. (parênteses – amo as fadas, elas são as maiores aliadas das mães nos momentos de aperto – fecha parênteses)
Quando os sintomas são crônicos, eles aparecem gradualmente e podem ser causados por alimentação pobre em fibras ou muito protéica, por constituição física (intestino muito longo ou muito curto), hereditariedade ou por doenças como raquitismo e desnutrição. A pressão dos pais no desfralde também pode causar prisão de ventre crônica. Neste caso é essencial a análise de um médico.
Em qualquer um dos casos, a alimentação é a melhor aliada. Abaixo alguns alimentos a serem evitados e outros a serem acrescidos na dieta de crianças com prisão de ventre:
Evitados :
Banana, maçã, arroz, goiaba, frutas verdes, alguns leites em pó, alguns achocolatados.
Acrescentados:
Alimentos ricos em fibra, legumes verde escuros, ameixa, uva passa, castanhas (caju, nozes, portuguesa), Iogurte.
No mais faça o momento do cocô parecer uma brincadeira. Deixe livros, brinquedos e massinha no banheiro para que seu filho/a se distraia e encare o momento como algo legal e não como um castigo.
Bjs e boa sorte.
Vivian Braunstein
Fonte:http://falamamae.com/tag/coco
Gonsalves, Paulo Eiró – Tudo sobre a criança: perguntas e respostas. São Paulo: IBRASA, 2003.
Warren, Penny. Kelly, Paula – Tirar a fralda sem choro e sem trauma. São Paulo: Ground, 2008.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Quando os pais se separam
Hoje é cada vez mais comum a participação do pai na criação dos filhos e está cada vez mais claro que um ambiente familiar estruturado promove crianças psicologicamente saudáveis. Na teoria tudo é lindo, mas na prática nem sempre as coisas funcionam desta forma.
Com a evolução da sociedade e as conquistas femininas, a mulher adquiriu independência financeira e perdeu o medo de separar-se quando o casamento não está mais dando certo; o que traz uma nova realidade familiar : A de uma criança com duas casas.
Escutei recentemente de um pai, que na maioria dos casos de divorcio, o homem casa-se novamente e tem outros filhos constituindo nova família. Então, como proceder para que este processo não crie problemas emocionais futuros ?
Primeiro é preciso entender o que acontece na cabeça da criança quando ocorre a separação : Antes dos 6/7 anos ela é egocêntrica e acredita ser sua a culpa do fracasso do relacionamento dos pais. Se estiver na fase edipiana, piorou, pois vê seus desejos se tornarem realidade. Muitas vezes ela regride nas conquistas da autonomia, torna-se agressiva ou introspectiva, “pegando as dores” do cônjuge que parece ter sido abandonado (principalmente se o outro casar-se logo).
É necessário muito cuidado para ajudá-la a superar a ruptura de uma relação parental. Primeiro, é preciso ter em mente que o casal deixou de ser marido e esposa, mas jamais deixará de ser pai e mãe e a criança deve ficar sempre de fora das negociações e brigas judiciais, afinal ela não tem nada a ver com a relação homem-mulher dos pais.
Como na maioria dos casos de separação, a guarda dos filhos fica com a mãe, o pai não deve sumir (ele separou-se da esposa e não deles), mantendo uma rotina de encontros (estabelecida pelo ex-casal ou juiz) e obrigando-se a cumpri-la. A pior situação para uma criança é ficar sentadinha, pronta, esperando por um pai que não aparece, ou que aparece dias depois com uma desculpa esfarrapada. Importantíssimo : por mais que os adultos recomponham sua vida, não podem esquecer que seu filho (a) faz parte dela e que devem ter tempo em suas agendas para ele (a). O mesmo vale para situação inversa, quando a guarda é do pai. Filhos precisam sentir-se queridos, independente de quantas casas tenham.
É importante também, que a imagem dos pais seja preservada, pois continuarão a ser o modelo de comportamento, por isso nada de falar mal do outro, nem bagunçar a vida das crianças, mesmo que estejam em litígio. Isso não ajudará nas negociações do divorcio e aumentará a angustia delas, que terão que conviver com o dualismo entre o amor e ódio que os rodeiam no momento.
Muitas mães abrem mão da sua felicidade em prol dos filhos “traumatizados”, mas segundo especialistas, a recomposição da família em conseqüência de um segundo casamento pode ser benéfica já que traz uma nova reconfiguração familiar. Porém padrasto e madrasta não devem interferir em decisões exclusivamente parentais como assuntos escolares e médicos. Este tipo de interferência é muito comum, afinal trata-se de um assunto pessoal do cônjuge. Cuidado ! Por mais amor que um padrasto ou madrasta possa ter pelos filhos de sua parceira ou parceiro; quando a criança tem pai e mãe vivos a responsabilidade é deles. Cabe aos primeiros auxiliarem na educação e modelo de comportamento, principalmente porque os sentimentos da criança são ambíguos em relação a eles. Ao mesmo tempo em que sente afeição, acredita estar “traindo” seu pai /mãe por estar substituindo alguns momentos felizes que poderia estar passando junto com ele (a).
Não é fácil separar-se quando existem outras vidas envolvidas, e por isso, muitos casais mantêm-se juntos mesmo desejando secretamente estarem separados. Apesar do turbilhão de sentimentos conflitantes que aparecem com uma separação é preciso entender que as crianças precisam de serenidade e atenção para superarem esta etapa de suas vidas e seguirem com suas conquistas de forma saudável e equilibrada.
Referências :
Mil dicas para entender seus filhos de 0 a 7 anos -Harry Ifergan e Rica Etienne
Manual de mães e pais separados - guia para a educação e a felicidade dos filhos - Marcos Wettreich
Bjs e boa sorte
Vivian Braunstein
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Violência Infantil e Bullying
Socializando cada vez mais cedo, a criança passa por algumas etapas que requerem observação. É comum uma criança de 1,5 anos morder na disputa por objetos ou pela atenção de um adulto, pois ainda não consegue verbalizar seus desejos nem compreender os desejos do outro (egocentrismo). Já a partir dos 3 anos quando a fala está estruturada, ela aprende a “negociar”.
A partir dos quatro anos quando tem um repertório mais complexo, pode utilizar a fala para atingir outras crianças que sejam diferentes do grupo.
Hoje, com o acesso a informação cada vez mais fácil, uma menina que não “é princesa” e não liga para Barbie ou um menino que não monte em tudo e não saiba quem é o Ben 10 podem ser excluídos do grupo num estalar de dedos.
Ouvi relatos de mães sobre as “panelinhas” intransponíveis que suas filhas haviam formado, deixando outras de fora. Já os meninos amadurecem mais lentamente e nesta idade estão cheios de hormônios o que faz com que alternem o bater ao dialogar. Tem épocas que são “quase adultinhos” e outras voltam a ser “quase bebês”.
Em ambos os casos, vemos o reflexo da violência: moral para as meninas e física para os meninos. A preocupação deve ser a de evitar que estas atitudes sejam recorrentes, pois podem se transformar em Bullying na fase seguinte (dos 7 aos 18 anos).
Sem tradução para o português, o Bullying é o comportamento agressivo que ocorre contra o outro sem motivos justificados. Ameaças, assedio moral, agressões físicas e verbais que coloquem a outra criança em situação de desconforto, normalmente na frente de outras crianças. Este comportamento sempre existiu, mas recentemente psicólogos, educadores e pais têm se preocupado mais devido às conseqüências como a queda de rendimento escolar e em casos mais raros o suicídio.
Como evitar o Bullying na infância ?
Controlando a agressividade na pré-infância. Nesta fase a criança ainda enxerga nos pais a referência e contam o que acontece na escola. Seu comportamento também é bem transparente, ou seja, ela fará na sua frente exatamente o mesmo que faz pelas suas costas, por isso fica fácil conhecer o comportamento de seu filho e orientá-lo enquanto ele ainda escuta seus conselhos como se fossem verdades quase absolutas.
Crianças que excluem e são excluídas acabam tendo problemas de relacionamento, insegurança ou excesso de autoconfiança na fase adulta. Precisamos lembrar que a base da personalidade do indivíduo é formada até os 6 anos e depois é preciso um trabalho de auto-análise muito forte para mudar alguns comportamentos adquiridos deste período.
Segurar a mão e a língua de uma criança também fazem parte do educar. A maioria dos profissionais aconselha a conversar, a dar amor e impor limites claros, aos invés de bater e por de castigo; comportamentos que podem reforçar a violência infantil.
Caso seu filho / filha sofram com a discriminação, é preciso reforçar sua auto estima e orientá-lo a buscar uma participação no grupo ou juntar-se a outro grupo.
Não é fácil para eles e não é fácil para nós. Ninguém quer ver seu filho excluído ou excluindo alguém. Cabe a nós darmos o exemplo e mostrarmos que há crescimento com a diversidade. E só assim estaremos preparando nossas crianças para uma vida saudável e estruturada.
Bjs e boa semana
Vivian Braunstein
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Scooby Doo, Penelope Charmosa e outros veteranos
Foto:http://www.letsvamos.com/letsblogar/wp-content/uploads/2006/12/hannabarbera.jpgO que estes desenhos têm de especial para atrair a atenção da garotada? Primeiro estão na memória de muitos pais, o que é um endosso poderoso, depois mostram como os espertos, mesmo pequenos, conseguem vencer os malvados. De todos talvez o Pica-Pau e o Jerry (do Tom e Jerry) sejam os mais polêmicos, e deixem nossos filhos um pouco mais levadinhos, mas um pouco de “arte” faz bem, desde que dosada; ou seja, tem que haver limites. Brincar que os bonecos briguem é uma forma de extravasar os conflitos, já chutar a canela da tia idosa é completa falta de educação.
A Penélope carrega o padrão sonhado por muitas meninas, ou seja, é feminina, ousada, esperta e boazinha. Que mãe com mais de trinta e tantos anos não quis um carro cor-de-rosa com batom que saía do porta-luvas e passava sozinho? Hoje produtos licenciados e desenhos animados andam de mãos dadas, mas mesmo sem grande visibilidade, Penélope tem chances de “pegar”, assim como as princesas ou a Barbie.
Pelo outro lado um grupo legal que não sai da grade (SBT e Cartoon) é a turma do Scooby Doo. Além do desenho ser uma delícia, por envolver mistérios e suspense, mostra um grupo completamente eclético, o que faz com que a criança entenda e aceite a sociabilização na diversidade. Jovens com perfis completamente diferentes se juntam para desvendar mistérios recheados de muito humor. Crianças pequenas, quando criadas abertamente e sem preconceitos para sociabilidade, não enxergam esta diversidade, mas é um reforço na idéia de que todos podem ser amigos mesmo sendo diferentes.
Enquanto a criança é pequena ela precisa destes modelos para se expressar. Meu filho já quis ser o Pedrinho do Sítio do Pica Pau Amarelo, o Superman, O Batman, o Indiana Jones e agora o Fred do Scooby.
O que todos estes personagens tem em comum? São importantes porque fazem coisas boas e acabam recompensados.
Para as meninas a mesma coisa. Querem ser a Branca de Neve, a Cinderela, a Barbie e talvez a Penélope, pois elas são personagens de fibra, que também são recompensadas no final.
Estereotipo ou hormônios? Já li que por volta dos 4 anos os hormônios estão em ebulição. É a “bebecência”, a adolescência infantil. Meninas são sociais e meninos são agitados, e estes personagens em maior ou menor grau são um reflexo disto.
A maioria os desenhos de Hanna-Barbera, conseguem captar bem a essência infantil, mesmo com as mudanças sócio-tecnológicas dos últimos 20 anos; e por isso ainda fazem sucesso. Flinstons e Jetsons mostram um modelo de família que não existe mais em muitos lares, mas retratam alguns conflitos atuais com bom humor.
É uma pena que o Cartoon, detentor dos direitos sobre o acervo dos estúdios Hanna-Barbera, esteja deixando de lado a fórmula que o consagrou, de mesclar desenhos consagrados aos horríveis desenhos escatológicos, apesar dos consagrados ainda aparecerem timidamente na grade, provavelmente porque o canal percebeu que está “herdando” as crianças com menos de 6 anos “que mudaram de fase” e não querem mais assistir ao Discovery Kids (mesmo gostando muito de alguns programas como Mister Maker e Lazytown) ou talvez para apaziguar as duras críticas que sofreu nos últimos anos, por causa de seus slogans como “a gente faz o que quer”. (Hello, isso é de enlouquecer qualquer pai!!!!).
De qualquer forma criança que desenvolve a imaginação tem maiores chances de se transformar num adulto criativo e conciliador de conflitos, por isso não custa assistir.
Bjs e boa semana
Vivian Braunstein
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Seu filho / filha quer outra mãe ?
Não entendeu? “Coraline e o Mundo Secreto” é um desenho animado, meio gótico, quase sombrio, de 2009 dirigido por Henry Selick, numa adaptação do romance de Neil Gaiman de 2002, e conta a história de uma menina que sentindo-se ignorada pelos pais quando mudam-se para uma apartamento antigo e reformado, encontra uma porta secreta que a leva a um mundo quase igual aos seu. Porém neste mundo seus pais, com botões no lugar dos olhos, fazem tudo o que ela deseja. As fichas caem de que alguma coisa não está certa, quando ela descobre que a “outra mãe” não é bem o que parece ser.
Numa cena marcante, quando seus pais verdadeiros somem, ela coloca alguns objetos pessoais deles nos travesseiros enrolados e dorme com os “bonecos” que fez.
É um filme que faz a criança pensar: “Não quero outra mãe, a minha pode não me deixar fazer tudo, mas me ama de verdade” porque a “outra mãe” no filme é um monstro. Lliteralmente.
Quando a criança começa a andar, inicia o processo de conquista da autonomia e em alguns momentos enxerga a mãe, que antes fazia absolutamente tudo por ela, como uma barreira. Por outro lado, mais ou menos a partir dos 2 anos inicia a fase do complexo de Édipo (acontece com meninos e meninas) e seu relacionamento com ambos os pais passa a ser conflitante. É conflito demais para tão pouca maturidade.
Apesar de Coraline ter por volta de 8 anos, o filme cai como uma luva para crianças menores. A busca pela autonomia e pelo poder, o testar os limites, os sentimentos conflitantes em relação aos pais, e todos os percalços que passamos são muito bem ilustrados no filme. Numa cana, a menina vai com a mãe verdadeira comprar uniforme. Todas as roupas que a mãe escolhe são monocromáticas e a menina quer um par de luvas coloridas para ir à escola. Ela fica muito frustrada quando a mãe diz não. Como escape, ao chegar na outra casa, a outra mãe lhe dá de presente uma roupa nova, toda colorida. Esse tipo de mensagem atinge parcialmente crianças pequenas, mas elas se identificam. O Mundo Secreto de Coraline pode ser muito bem o mundo de fantasia para onde as crianças pequenas vão para resolver seus conflitos.
Quando meu filho começa a fazer birra e não quer obedecer, só pergunto se ele quer a outra mãe, igual a da Coraline. Não preciso nem dizer qual é a resposta.
No fundo toda criança quer regras e limites, ela precisa disto para se sentir segura. Por mais que queira tudo o que vê e pede, o faz porque sabe que não vai ganhar, e se ganhar, não dará valor. O pedir também faz parte do testar os limites. Por isso não fique triste quando seu filho / filha disser que quer outra mãe. Na verdade ele / ela quer espaço, mas também limites.
Talvez isto responda também a alguns questionamentos que recebi de pais sobre ter a Barbie como modelo. A criança frustrada, mas ao mesmo tempo segura, com os limites impostos pelos pais, precisa de um escape na fantasia. É melhor que seja a Barbie ou o Ben 10 do que uma outra mãe ou outro pai. Isso passa por volta dos 7 anos. E aí novos problemas aparecem. Mais uma vez: Ninguém disse que crescer é fácil e muito menos criar um filho.
Ficha Técnica:
Filme: Coraline e o Mundo Secreto. Henry Selick. 2009
Livro: Coraline. Gaiman, Neil. Rocco, 2002
Bjs e boa sorte.
Vivian Braunstein
sábado, 26 de setembro de 2009
Barbie - é cor de rosa choque !!!!!!!!!!
Foto : - blogs.jovempan.uol.com.br/.../03/barbie-2009.jpgBarbie é uma boneca criada no final da década de 50, graças à visão de uma mãe marketeira que percebeu nas brincadeiras da filha Bárbara (daí o nome, apelido da menina) espaço para a fabricação da primeira boneca com perfil de adulto. O que garantiu a longevidade da boneca, que fez 50 anos este ano, foi a associação do trabalho primoroso de marketing da Mattel com a evolução dos modelos oferecidos, acompanhando as evoluções da sociedade. Ou seja, as bonecas vendidas hoje, só têm em comum com suas antecessoras, o nome e as características básicas como feminilidade, correção de caráter, amor e amizades e sucesso.
Como uma mulher moderna, Barbie foi à luta. Dirigindo seu carrão, com celular e note book na mão, é executiva de multinacional. Porém esta imagem pode se dissolver no momento que a menina abre a caixa. Isso porque ela projeta na brincadeira a sua visão do mundo e a personalidade que aspira ter, e por isso a executiva pode transformar-se num segundo em atriz ou professora. No fundo o que atrai é a característica original da boneca, de mulher bonita e bem sucedida.
Muitos psicólogos e pedagogos são contra o ícone Barbie por acreditarem que ela introduza as meninas precocemente no mundo adulto e remetam a temas como sexualidade, futilidade e valores distorcidos, como preocupação com moda e aparência. Por outro lado há vários profissionais que defendem a importância real da boneca.
O que é preciso analisar é o fato de que a criança entra na fase da fantasia e da magia por volta dos 3 anos e precisa explorar e expressar este momento através das brincadeiras e da imaginação. Da mesma forma que meninos tendem à violência, meninas tendem ao glamour e por isso o sucesso dos contos de fadas (mais precisamente das princesas) até hoje, apesar do abismo cultural que separa a época em que forma escritos aos dias atuais.
A criança, na primeira infância está em busca da sua autonomia e muitas vezes se projeta no adulto que gostaria de ser. Não é melhor querer ser como a Barbie do que como Betty, a feia ? Ambas tem bom coração, mas uma é maravilhosa e a outra é uma pobre coitada.
A primeira infância é a melhor fase na vida de uma pessoa, quando é permitido sonhar. É a partir dela que formamos nossa personalidade e nossos valores. A magia e a fantasia fazem parte desta etapa e é por isso que não se conta à criança com menos de sete anos que Papai Noel não existe. A alegria desta fase pontua a forma como a pessoa irá encarar os desafios no futuro.
É claro que cabe aos pais ou responsáveis conduzir qualquer fase da vida dos filhos com moderação, mas não com severidade medieval. Estamos preparando cidadãos para um mundo melhor e não para Guerra dos 100 anos.
Por isso, não se preocupe se sua filha brinca de Barbie e quer ser princesa, ela só está expressando seus conflitos de crescimento, assim como os meninos falam palavrões, mostrando que são capazes de controlar seu corpo. Elas querem mostrar que são capazes de controlar seus sonhos.
Fonte :
As Bonecas da Contemporaneidade: Representações Midiáticas da Identidade Feminina. Disponível em : http://www.fazendogenero7.ufsc.br/artigos/H/Heberle-Almeida_02.pdf (26/09/09)
O Licenciamento de Marcas Estudo de Caso: Mattel do Brasil – Marca Barbie. Disponível em : http://www.ead.fea.usp.br/Semead/10semead/sistema/resultado/trabalhosPDF/48.pdf (26/09/09)
Bjs e boa sorte
Vivian Braunstein
domingo, 20 de setembro de 2009
Palavrões, escatologias e outros bichos
Alguns psicólogos sugerem que a criança sente prazer ao dizer estas palavras e a ter estas atitudes, enquanto outros afirmam que esta é uma forma de desafiar aos pais. Talvez sejam os dois.
É nesta fase também, que a criança começa a falar palavrões, como forma de chamar a atenção e para expressar seus sentimentos. Ela aprende por imitação e apesar de não saber o que a maioria significa repete por compreender o “significado emocional” das palavras e as reações que provoca, ou seja, ela entende o “conceito” do palavrão mesmo sem saber o que é.
Durante a primeira infância, as influências mais fortes são a dos pais ou responsáveis. Ao ingressar na pré-escola repete as atitudes dos amigos como forma de ingressar nos grupos sociais. A repetição surge a partir dos responsáveis e/ou dos amigos.
Segundo o livro Mil dicas para entender seu filho de 0 a 7 anos, quanto maior a necessidade de sentir-se “limpo”, ou seja ter o controle fisiológico, maior a sujeira do vocabulário da criança, sendo esta máxima uma necessidade ao desenvolvimento infantil. Os autores colocam ainda, que todo este processo acontece no jogo do simbolismo. Como faz parte do crescimento, resta aos pais orientarem a criança aonde podem ou não se expressar.
Quando meu filho começou a falar alguns palavrões, procurei explicar o significado de forma que ele entendesse (sem conotações sexuais complexas) e pedi que não falasse. Realmente, na frente dos outros ele mantém o controle, mas em casa a história é outra. Tudo bem, desde que só em casa.
A maioria dos psicólogos não recomenda a proibição. Nesta idade a criança sente-se dividida entre agradar aos pais e contrariá-los em benefício de sua autonomia; por isso uma proibição confundirá ainda mais sua cabecinha e provavelmente a necessidade de autonomia e oposição aos pais vencerá. E a situação se inverterá : ao invés de falar escatologias em casa e se comportar na rua ele será um “santo” em casa e um “desbocado” na rua.
Apesar de terem motivos diferentes as atitudes nojentas e os palavrões são comuns às crianças pequenas e não significam que os pais não lhes dão educação. A psicologia moderna sugere sempre que os pais estejam ao lado dos filhos e conversem com eles orientando e ajudando a resolver os conflitos do desenvolvimento.
A nós pais, só resta a pergunta: Quando eles irão parar de nos desafiar ?
Deixo a dica de dois livros aonde encontrei as informações para este post. Pareceram interessantes, mas não li nenhum dos dois inteiros, somente os capítulos referentes a este assunto.
Mil dicas para entender seu filho de 0 a 7 anos - Harry Ifergan e Rica Etienne. Ed. Jorge Zahar, 2001.
Aprenda a ler seu filho – Lynn Weiss. Coleção Pais e Filhos, 2002.
Bjs e boa semana.
Vivian Braunstein
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Sexualidade na primeira infância

Ilustração : http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/foto/0,,15368952-EX,00.jpg
Alguns amigos me pediram para escrever sobre a fase do escatológico, principalmente quando os meninos começam a acrescentar ao repertório palavrões além das palavras “bunda, pinto e pum”. Ainda não encontrei explicações satisfatórias, mas esbarrei no tema do início da sexualidade infantil e achei que seria bem interessante comentar. Quanto às escatologias vou pesquisar mais um pouco e semana que vem eu posto.
Segundo Freud, por volta dos 3 anos a criança passa da fase anal aonde aprende a controlar as necessidades fisiológicas, para fase fálica, onde descobre se tem ou não pênis. Trata-se da descoberta da presença ou ausência dele. Com isso surge a diferenciação pelo sexo e o interesse pelo próprio corpo. É uma fase de descobertas que coincide com a fantasia e o faz de conta.
É por volta dos 4 anos que o lúdico e o faz de conta estão no auge, assim como a curiosidade a respeito do próprio corpo. Por isso crianças brincam de família, de personagens e de heróis, independente do gênero, pois se projetam no outro por terem adquirido a consciência de que existe o outro.
Nesta etapa algumas mães ficam preocupadas por seus filhos quererem brincar com bonecas ou suas filhas querem brincar com carrinho ou bola. Pode ser preocupante como pode ser normal. A criança de 4 / 5 anos dramatiza as situações cotidianas e também as absurdas. Num momento o menino é o pai que dá banho no bebê (super normal se o pai dele dá banho nele) e no outro a menina vira a Super Gata ou outra heroína para lidar com os conflitos da idade. Isso não tem nada a ver com desvios de sexualidade.
Capítulo a parte são os bonecos de personagens. Na pesquisa que fiz com 62 famílias de classes A, B, C e D com filhos entre 1,5 a 6 anos, para o trabalho de conclusão do meu MBA, 19% das crianças das classes A e B pedem bonecos de personagens sendo atendidos por seus pais, enquanto 44% das crianças das classes C e D fazem o pedido, mas somente 28% são atendidos. Mesmo assim, são números consideráveis que mostram o quanto a criança de hoje está mais perto de seus personagens preferidos, tendo nos bonecos a materialização da fantasia. Nesta categoria, não existe feminino e masculino, e sim a turma. Qual a graça de brincar só com a Mônica sem o Cebolinha e vice versa ?
O fenômeno do momento no universo infantil masculino é o Ben 10. Sem a Gwen (prima com quem o menino disputa o tempo todo) não há brincadeira completa, assim como não dá para brincar sem os aliens em que ele se transforma. É um conjunto que forma a fantasia e enriquece o repertório.
Alguns psicólogos e pedagogos acabam orientando as mães pelo modelo clássico, e sugerem que se o menino ou a menina tem comportamento ou deseja brinquedos originalmente destinados ao sexo oposto, que ele ou ela seja colocado em maior contato com pessoas e objetos do seu próprio sexo. Concordo parcialmente com isso. Se todo herói tem uma amada, porque o menino não pode ter os dois bonecos ?
Se a maioria das mulheres dirige, porque a menina não pode brincar de carrinho ?
Quando houve a campanha das Meninas Super Poderosas no McDonalds, muitos meninos quiseram e seus pais não deixaram, sem saber que apesar de meninas, são personagens masculinos por serem aventureiras e heroínas. O fato de serem meninas é só um mero detalhe comercial para agradar também ao público feminino.
Vivemos hoje uma mudança nas estruturas comportamentais da sociedade. Quando estudei os contos de fadas encontrei vários psicólogos contra o modelo de mulher frágil e passiva, mas estes mesmos profissionais recriminam a menina que brinca de bola ou gosta de futebol. Se pensarmos pelo lado bom, no mínimo quando ela se casar (com um homem !!!) não haverá briga pelo controle remoto pois os dois assistirão ao futebol sem discussões.
Feminilidade e masculinidade estão ligados a uma orientação saudável e aos hormônios.
Um menino não deixa de ser menino se ao brincar dá banho no bebê ou seu herói tem namorada e uma menina não deixará de ser feminina se gostar de futebol. O que vejo aqui é uma incongruência de idéias. Crianças são crianças e hoje infelizmente isso acaba por volta dos 7 anos quando as meninas já querem ser mulheres.
É preciso levar em conta também que as referências mudaram com mães que trabalham fora e pais mais presentes. Ou seja, os modelos são outros. Educa bem quem percebe isso. A criança é um reflexo da família e se seu filho vê você fazendo alguma coisa vai querer imita-lo. Por isso cabe a nós como pais orienta-lo do que podem ou não fazer. Menino dar banho no bebê pode, passar batom não. Menina jogar bola pode, xingar não. E assim por diante.
Vamos deixar nossos filhos descobrirem seus corpos (o meu levantou a saia de todas as manequins numa loja de departamento para ver se elas tinham bunda – faz parte !!!) e brincarem a vontade.
Acredito muito nesta geração criada com mais consciência e informação. Torço por nossos filhos e que eles, sem preconceitos, possam fazer do mundo um lugar melhor para se viver.
Bjs e boa sorte.
Vivian Braunstein
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Cadê os palhacinhos ?
Meu filho escolheu um tema incomum para a idade (que não vou revelar para não estragar a surpresa, pois muitos dos meus leitores são convidados), e como não encontrei, resolvi montar a decoração. Ao sair para região da 25 de março constatei aquilo que havia teorizado no trabalho de conclusão do meu MBA. Está cada vez mais raro, mesmo nas regiões de comércio popular, encontrar temas que não sejam ligados aos personagens licenciados. Nas lojas de artigos para festa e nas de brinquedos, o que se vê é uma profusão de Ben 10, Batmam, Wolverine, Princesa, Barbie e afins.
O que aconteceu com os palhacinhos e ursinhos?
Não são mais populares entre a garotada e por isso não tem saída nas lojas, o que fez com que simplesmente desaparecessem. É muito interessante verificar que até as crianças de famílias com menor poder aquisitivo também desejem os personagens da TV e que seus pais se esforcem para comprar produtos de “marca”, afinal custam mais caro, mas também duram mais.
Nossos filhos não brincam mais na rua (por questões de segurança), já usam a Internet antes de saber ler e escrever, assistem televisão desde a hora que levantam e acompanham os pais ao shopping e ao mercado. Tudo isso contribui para formação de seu comportamento futuro.
Sou uma apaixonada por personagens, e acredito que seus brinquedos ajudem no desenvolvimento infantil, mas também sou consciente de que precisamos educar nossos filhos para aprender a consumir.
Na fase pré-escolar, quando a criança está iniciando o processo de sociabilização, escolhe os personagens em razão do grupo ao qual pertence ou deseja pertencer e por isso eles ganham tamanha força.
Como lidar com isso é extremamente delicado. Alguns pais são contra o consumo exagerado dos personagens por não acreditar que tragam benefícios ao desenvolvimento de seu filho, enquanto outros pensam e agem de forma contrária.
O principal é não cortar totalmente este vínculo, pois a criança precisa da fantasia para tornar-se um adulto equilibrado. O que muda é que em época de globalização até a fantasia tornou-se pasteurizada. Cada família tem um grau de permissividade e tolerância com este assunto, mas não dá para coibir totalmente.
Deixe seu filho livre para sonhar e desejar ser o personagem que quiser, porém ensine-o a dosar. Não dá para comprar tudo o que vê, mas também não dá para ficar sem nada.
Os palhacinhos que me desculpem, mas este não é definitivamente o seu momento.
Bjs e boa sorte
Vivian Braunstein
domingo, 26 de julho de 2009
Eu quero !!!!!!!!
Ou ainda: sentado à frente da televisão chamando por você quando passa a propaganda de algo que ele quer ?
Pode ser uma marca de bolacha, um salgadinho, um brinquedo, um livro uma roupa. Não importa. A criança aprende a consumir cada vez mais cedo.
Um terço da culpa é dos pais que acabam cedendo com mais facilidade para compensar as ausências, ou por terem vergonha dos ataques histéricos dos filhos dentro da loja ou até mesmo para compensarem a frustração de não terem tantas ofertas quando eles eram crianças. Outro terço da culpa é dos meios (televisão, internet e ponto de vendas) muito mais acessíveis e atraentes e o último terço é dos próprios filhos. Crianças, principalmente com menos de 6 anos, são superficiais, egocêntricas e imediatistas, o que faz com que desejem tudo o que vêem sem entenderem realmente para que precisam daquilo. É uma combinação explosiva de criança buscando autonomia e testando os pais, sendo super-estimulada pela mídia e recebendo em troca o que deseja, por causa da consciência pesada dos pais ou pela falta de paciência deles em sustentar a negação.
Então como conciliar o sim e o não e o que deve ser permitido ou negado ?
Esta é talvez a tarefa mais difícil na criação: a imposição de limites. É a partir de como os pais trabalham os limites que a criança moldará seu comportamento futuro. Muita permissividade cria adultos sem senso de realidade e respeito ao próximo e rigor ao extremo gera adultos frustrados que não se consideram merecedores de nada.
É importante lembra que na primeira infância a criança só consegue entender um ou dois atributos por vez, por isso é preciso cautela ao dialogar. Se você contar uma história muito complexa, ela não entenderá o seu ponto de vista e continuará pedindo tudo que vê.
Uma saída é a troca, ou seja um condicionamento com reforço positivo.
Exemplo: se a criança não quer se deitar no horário estipulado e fica “enrolando”, você pode fazer uma tabela com os dias da semana e cada vez que ela deitar-se no horário leva uma bolinha azul e quando ela não se deitar no horário leva uma bolinha vermelha. No final do período (mínimo 15 dias, caso contrário fica muito fácil) somam-se as bolinhas. Se a criança tiver mais bolinhas azuis ganha o presente que deseja.
Outra forma de fazer é desenhar uma escada e cada vez que a criança cumprir o horário uma estrelinha sobe um degrau, cada vez que descumprir, desce. Quando a estrelinha chegar ao topo a criança ganha o presente.
Nas duas formas é muito importante estipular os prazos e deixar as regras bem claras antes de começar a contagem, para que o condicionamento não perca credibilidade.
Desta forma a criança aprende que existem compensações, aprende a esperar e a escolher com um pouco mais de critério. É similar ao esperar para ganhar de dia das crianças ou de Natal de antigamente.
Sou particularmente defensora do respeito ao gosto dos filhos, que são indivíduos como nós. Não adianta querer vestir roupa azul se ele gosta de verde, mas também acredito na importância de colocar limites, pois existem coisas que não devem ser negociáveis. Elas são necessárias para que a criança cresça entendendo que existem certas obrigações que não podem deixar de ser cumpridas.
Enxergo três momentos diferentes na educação de um filho:
1. Condicionamento básico sobre educação e cidadania como não jogar papel no chão e dar a descarga. São conceitos que devem ser passados como naturalidade para que a criança incorpore à sua vida e se tornem ações automáticas.
2. Ações não negociáveis sobre saúde e higiene como tomar remédio e banho. Se não quiser vai na marra. Se vomitar toma outra dose.
3. Ações negociáveis que envolvem gosto pessoal. A negociação deve ser boa para ambas as partes. E neste caso entra atender ou não à alguns pedidos e a imposição de limites.
Consumir faz parte da sociedade em que vivemos. É a partir do que se consome que se mostra quem se é e a qual grupo se pertence, porém é preciso ensinar critérios desde cedo para que a criança torne-se um adulto consciente daquilo que consome.
Com crianças um pouco maiores é uma ótima oportunidade de ensinar a lidar com valores, poupar para comprar, etc, mas crianças de até 6 anos ainda não estão maduras neurologicamente para compreender operações muito complexas, por isso o condicionamento pode ser de grande ajuda. O importante no final é ter coerência entre o que se fala e o que se faz para não confundir a cabecinha delas.
Bjs e boa sorte
Vivian Braunstein
domingo, 28 de junho de 2009
Personagens
Gostaria de agradecer a todos que de alguma forma colaboraram para tornar este sonho realidade. Às amigas do grupo que se dedicaram brilhantemente, à nossa orientadora, às profissionais da banca por seus comentários pertinentes e construtivos, aos amigos queridos que colaboraram com a pesquisa, àqueles que mesmo não tendo filhos pequenos torceram e nos apoiaram mas principalmente gostaria de agradecer ao meu marido e filho que suportaram até que bem as minhas ausências.
Estou feliz e quero compartilhar com vocês um pouco da influência que estes misteriosos seres em 2D podem exercer sobre as crianças. Em nossas pesquisas constatamos que vários profissionais sérios da área de psicologia e pedagogia já se renderam aos personagens de animação por constatarem (através de pesquisas de campo) que sua influência é mais benéfica do que maléfica.
A criança, ao entrar na fase da fantasia, por volta dos 3 anos, identifica-se com os personagens bons, mesmo que eles usem de pequenas trapaças para conseguir se defender. É o caso do Pica-Pau. Assim como vários pais, sempre acreditei que fosse um personagem antiético e maldoso, mas um estudo da LAPIC (Laboratório de pesquisa sobre a infância, imaginário e comunicação ECA – USP) conduzido por Elza Pacheco concluiu que a criança não enxerga a violência e sim a vitória do pequeno sobre o grande através da astúcia.
Muitas mães não acreditam que os personagens tragam benefícios aos filhos, mas se dosados, podem sim ajudar a construir uma relação mais segura com o mundo real. Que criança não acordou no meio da noite com medo de algum tipo de monstro? Ter um super-herói ou um príncipe à mão para acalmá-la pode ser uma boa pedida.
E a dificuldade em passar a criança do berço para cama ? Um lençol do Barney não ajudaria ? Esta foi a principal motivação que me conduziu a este tema.
É muito difícil argumentar algumas coisas com a criança, pois na fase de oposição ela simplesmente não quer ouvir. Alguns estudiosos do comportamento afirmam que os condicionamentos são muito mais fáceis quando o reforço é positivo e não negativo, por isso a criança responde melhor ao estímulo “se comer ganha o chocolate depois” do que “se não comer, não ganha o chocolate”. Existem psicólogos e pedagogos que não concordam, mas na prática é muito mais fácil convencer a criança através de gratificações do que através de palavras.
Vamos criar seres consumistas ? Talvez, mas tudo na vida funciona a base de trocas. Podemos até trabalhar naquilo que gostamos, mas o fazemos pela remuneração. Não estou aqui para julgar a sociedade em que vivemos, nem tenho base para isso, mas para tentarmos tirar melhor proveito dela a fim de termos uma vida feliz e criarmos filhos que se adaptem da melhor maneira possível neste mundo cada vez mais maluco em que vivemos.
A fase da fantasia existe, e pode atingir a criança em maior ou menor grau, dependendo da influência que sofre da família, amigos e das mídias. A melhor forma de lidar com ela é direcionando seu filho pelo caminho que você acredita ser o correto. Alguns pais estimulam mais e outros menos. O que não se deve fazer é proibir ou ignorar. É importante se fazer presente aproveitando o gancho para introduzir os seus conceitos de valores.
Em oito meses de estudo sobre este assunto me deparei com autores que acreditam no uso de audiovisual (desenho animados e programas educativos) em sala de aula e outros que reprovam totalmente estas técnicas.
Acredito que como tudo na vida, se a fantasia for estimulada na dose certa, pode conduzir sim a criança à fase adulta de uma forma mais tranqüila, mas qual é esta dose irá depender da criança e do meio aonde está inserida.
Cabe aos pais encontrar este ponto de equilíbrio e aplicar no dia a dia, pois os personagens são uma realidade na vida da criança e por mais que você não acredite ou estimule, ela dará um jeito de tê-lo por perto, nem que seja somente em sua imaginação.
Bjs e obrigada
Vivian Braunstein
sábado, 23 de maio de 2009
Internet

A internet entra na vida da criança por volta dos 3 anos quando ela começa a interagir com os sites dos canais de desenho e com os sites de atividades on-line. Mais tarde, quando já tem idade para entender, começa a fazer pesquisas escolares, aprimorar-se nos joguinhos e a participar de redes sociais como Orkut, MySpace, Facebook, Twitter e outros, mesmo que estas redes só sejam permitidas para maiores de 18 anos.
Isso faz com que seja mais “antenada” rompendo as barreiras espaciais, ou seja, uma criança de Porto Alegre pode ser a melhor amiga virtual de uma de Manaus, sem problema nenhum. O uso da internet é um problema? Pelo que pesquisei, depende dos pais.
É comum que os pais acompanhem o que seus filhos fazem na rede enquanto são pequenos, mas vão “soltando as rédeas” à medida que crescem. Esse é um sinal de confiança extremamente saudável, mas e a intenção dos outros com quem seu filho se relaciona?
Vamos por partes então. O uso da Internet é ou não saudável:
Quando a criança é pequena – É saudável, desde que não seja exagerado, porque a criança só entra em sites em que os pais confiam. Os benefícios dos jogos on-line são o treino do raciocínio, da atenção e da coordenação motora. A exposição demasiada pode causar, no futuro, problemas de LER (lesão por esforço repetitivo) e cansaço nas vistas, porque muitas vezes esquecemos de piscar quando estamos muito concentrados.
Quando a criança é twin (pré-adolescente) – Depende. Essa é a idade das descobertas e do abandono da infância (particularmente acho mais difícil que a adolescência). Mesmo sendo moderadamente vigiados pelos pais são movidos pela curiosidade. É benéfico quando utilizam a rede para pesquisas escolares e para satisfazerem a curiosidade sobre conhecimentos gerais, mas ao mesmo tempo é perigoso porque muitos acabam se expondo demais nas comunidades virtuais.
Como estão em busca de afirmação, aceitam amigos que não conhecem, colocam fotos chamativas e falam sobre seus sentimentos, fornecendo todas as informações para pessoas mal intencionadas. A melhor forma de “vigiar” o que seu filho faz na rede é sendo amigo dele nas redes sociais em que participa, sem contundo constrange-lo. Lembre-se essa é a fase onde os amigos são o máximo e você vira o “mico”. Aqui também vale a observação sobre os problemas de exposição demasiada na frente do computador.
Adolescentes – Jovens usam a internet para fazer trabalhos escolares, mas principalmente para jogar e se comunicar, o que é bom. O problema nesta fase é que muitos jovens passam tempo demais na frente do computador, o que não é saudável, tanto do ponto de vista físico, como do ponto de vista psicológico. Fazer amigos virtuais é legal, mas se o jovem não sai de casa, não encontra outros jovens, não aprende a se relacionar a não ser através da internet, ou seja, protegido pelo escudo da invisibilidade, não aprende a lidar com as frustrações pertinentes a esta fase do crescimento. Na puberdade tudo é difícil, tudo é “over”, pois é a fase da ebulição dos hormônios e pode parecer mais fácil relacionar-se através da internet.
Existem coisas que todo indivíduo precisa passar e superar para adquirir maturidade e chegar à fase adulta bem resolvido. Ter problemas de relacionamento na juventude faz parte deste crescimento. Gostar de quem não gosta de você, dar um fora em alguém, brigar com o melhor amigo para depois fazer as pazes, hostilizar e ser hostilizado, ter espinhas no rosto, usar aparelho, não ganhar a roupa da marca, juntar mesada para comprar a roupa de marca que a mãe não comprou, são comportamento comuns da adolescência que devem ser experimentados ao vivo e não on-line.
Sou uma pessoa extremamente favorável às tecnologias, mas existem coisas que a internet nunca substituirá como ler um bom livro (de papel), assistir a um filme de comédia (no cinema) e conversar com amigos (na hora do recreio ou na porta da escola).
Assim como a televisão, a internet faz parte de nossas vidas. Sem sombra de dúvida é uma ferramenta poderosa e importante para a comunicação e conhecimento, mas o que não dá, é para deixar os filhos totalmente livres nessa selva cibernética sob o risco deles se perderem. Temos que aprender a acompanhar o que eles fazem na net e talvez assim seja um pouco mais fácil protege-los.
Caso tenha curiosidade em conhecer a pesquisa da Norton, acesse o link :
www.sabbre.com.br/nolr
Bjs e boa sorte
Vivian Braunstein
sábado, 2 de maio de 2009
Heróis
É nesta fase que elas dão adeus aos Discovery Kids e descobrem o Cartoon Netework e o Disney Channel. E não adianta boicotar porque os amiguinhos / amiguinhas da escola também assistem. E atire a primeira pedra quem ainda não comprou um omnitrix para seu filho ou um kit princesa para sua filha.
Se seu filho / filha não quer mais saber do Barney e do Cocoricó e você está dando graças a Deus por não ter mais que escutar aquelas musicas cantadas por adultos que imitam crianças, prepare-se porque ao invés de contar o que fazem durante o dia, o que você vai começar a ouvir é como os Backyardigans, o Homem Aranha e a Cinderela fizeram ou não determinada coisa. Só mudam os personagens, mas a insistência é a mesma. Estamos crescendo junto com nossos filhos e vivenciando junto com eles as fases da infância.
É o auge da magia e da fantasia. Aproveite, pois segundo especialistas, atualmente esta é a última etapa da infância. Com 8-9 anos as crianças já não querem mais brincar e começam a entrar em outra etapa. A dos ídolos de filmes juvenis. Foi-se o tempo que criança brincava até os 12-13 anos. Agora na pré-adolescência querem participar de comunidades da NET e jogar videogame. Os ídolos passam por suas vidas com a velocidade de um supersônico. Minha sobrinha de 12 anos que o diga. Em pouco mais de um ano foram High School Musical, Hanna Montana e agora o fenômeno infanto-juvenil Crepúsculo.
Na nossa vez serão outros com certeza, pois esta é a época das alterações hormonais e também da inconstância.
Voltando aos pequenos, mais uma vez paciência. Você sobreviveu ao Cocoricó por isso sobreviverá aos heróis e princesas como também sobreviverá aos vampiros e monstros do Crepúsculo. Amamos nossos pequenos e queremos que eles sejam felizes.
A fantasia faz parte das etapas do crescimento, e aqueles que são contra o consumo exagerado e às influências da TV, e fazem oposição sistemática a eles, cuidado! Quando colocamos nossos filhos na sociedade eles sentem necessidade de pertencer, e vão imitar o comportamento daqueles que admiram. Não é melhor você ficar ao lado dele / dela participando de sua vida e orientando pelo melhor caminho ao invés de afastar-se dele / dela? Porque é isso que irá acontecer se você achar que não deve comprar a fantasia do Batman ou da Bela, enquanto todos na escola têm.
Temos que entender que somos uma geração privilegiada por ter acesso fácil à informação, por isso seja mãe e/ou pai, mas também seja companheiro de seu filho / filha. Não estou dizendo para ir com ele/ ela para balada, mas sim aproximar-se dele / dela a fim de encontrar seus ouvidos bem abertos quando chegar a hora das orientações e proibições mais difíceis na adolescência.
Por isso vamos lutar contra o Lex Luthor e o Coringa e tomar chá com a Branca de Neve e com a Yasmin, felizes por estarmos participando de um momento importante da vida de nossos filhos.
Quando meu filho não contava nada do que fazia na escola, para ao invés disso, me contar como o Superman salvou a Lois num avião desgovernado ou como o Pedrinho pegou o Saci, eu ficava chateada. Agora entendo que ele me conta o que é importante para ele. Ele quer contar aquilo que realmente interessa. O que faz parte de seu universo e o deixa feliz.
Este processo pode ser mais intenso em algumas crianças do que em outras, mas de qualquer forma ele existe, por isso aproveite e brinque!!!!!!!!!!
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Seu filho / filha tem uma bola ?
Video - A Bola - TV Escola - MEC Brasil
Há duas semanas meu primo veio para o Brasil trazendo seus 4 filhos com idades entre 4 e 7 anos. Não preciso dizer que eles não falam uma palavra de português, mas entendem de brincar. Brincaram a tarde inteira de bola com meu filho numa alegria contagianate. E a única comunicação era a bola. Fiquei intrigada como um pedaço de plástico cheio de ar pode encantar tanto as crianças que resolvi pesquisar.
Todos os artigos de psicólogos e pedagogos que li foram unânimes em afirmar que a bola é um dos brinquedos mais importantes no desenvolvimento sadio da criança. Pelo ponto de vista físico, brincar com bola ajuda a melhorar o equilíbrio, a coordenação motora e a força da musculatura, já pelo ponto de vista emocional, as brincadeiras com bola auxiliam na socialização e ajudam a organizar os papéis. A criança fica feliz ao fazer um gol ou por tirar a bola da outra que por sua vez tenta retomar a bola. Essas atitudes ensinam a ter confiança e determinação. Ensinam também limites e respeito ao outro.
É claro que se seu filho / filha brinca de bola sozinha, não aprenderá o coletivo, mas sim o respeito aos limites de onde pode ou não chutar a bola e a superação dos desafios cada vez que tenta fazer um gol ou uma cesta.
Não importa se você tem meninos ou meninas nem se pode ou não comprar brinquedos. Existem bolas de todas as faixas de preço e tamanhos, por isso se seu filho / filha ainda não tem uma bola corra para comprar uma.
Bjs e boa diversão
Vivian Braunstein
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Tirania Infantil

O que é realmente a tirania infantil? Pelo que pesquisei, são atitudes desconfortáveis aos pais, cometidas por crianças desprovidas de limites ou que tem limites em excesso. Até aí, tudo bem; mas como detectar se as manhas e birras são realmente tiranias ou se são parte do desenvolvimento. Até os 4 anos a criança usa destes artifícios para se impor e isto é normal, assim como as mordidas e brigas com os amiguinhos de escola. Já falamos sobre isso; faz parte da sociabilização e da compreensão do mundo.
Não podemos esquecer que hoje, a maioria dos pais realmente faz quase tudo que as crianças querem não só pelo sentimento de culpa causado pela ausência (principalmente das mães), mas também por uma questão financeira. Experimente comprar uma bolacha que não tem o personagem da moda na embalagem ou que não seja igual a que o amiguinho/ amiguinha leva na lancheira. Eles simplesmente não comem e lá vai seu suado dinheiro para o lixo junto com as bolachas mofadas. O poder das crianças sobre os adultos é tão grande que elas decidem 80% das compras da casa (InterScience 2003).
Então onde está realmente a tirania? Na manifestação desesperada de crianças que precisam de ajuda (ou seriam os Pais que precisam de ajuda?) ou no nosso estilo de vida aonde uma criança escolhe até a marca do sabão em pó?
O desenvolvimento das crianças segue algumas regrinhas básicas que não tiveram tantas alterações desde que foram analisadas por Freud, Piaget, Pavlov, Skiner e outros profissionais consagrados de séculos anteriores. É lógico que os fatores sociais têm grande influencia. Meu filho faz coisas que o pai dele e eu não fazíamos na sua idade. Nesse aspecto ele é bem mais maduro do que nós éramos aos quase 4 anos. Hoje as crianças já nascem no computador e na frente da televisão. Deve ter algum ajuste biológico no cérebro para absorver tanta informação, mas ainda acho que o problema não está nos filhos e sim nos pais.
Nunca foi fácil educar uma criança. Em outras épocas os pais mandavam os filhos para colégios internos, e os padres e freiras que se virassem. Longe dos pais as crianças perdiam o referencial e acabavam se comportando. Eram condicionadas para isso, e se fizessem alguma coisa errada, dá-lhe castigo. Alguém ousava contestar? Saiam de lá “preparadas para vida”. Mas felizmente as coisas não são mais assim e temos a oportunidade de formar pessoas melhores do que nós.
Calligaris fala em seu artigo que os pais enxergam os filhos com extensão de suas vidas finitas. Não sei, pode ser. E se for, é melhor tratarmos de aprender a sermos pais equilibrados no que permitir ou não. Não é tarefa fácil, mas com certeza vale a pena. A futura saúde mental de seus filhos agradecem.
Bjs e boa sorte.
Vivian Braunstein



