COMENTÁRIOS

Queridas mãe,

É sempre um prazer receber e compartilhar seus comentários à respeito dos post x suas experiências e dúvidas, todos sempre são publicados com muito orgulho, mas peço um enorme favor : NÃO MENCIONEM MEDICAÇÕES em seus comentários pois não poderei publicar. Não somos médicas e sim mães. Somente um médico pode receitar medicamentos e às vezes um remédio que é excelente para uma criança não faz efeito em outra podendo causar mais danos do que melhora.
Sei que posso contar com a compreensão e ajuda de vocês.

Obrigada por acreditarem nas minhas palavras e por compartilha-las.

Bj

Vivian Braunstein

PARA REFLETIR

Uma vez Fernanda Montenegro respondeu à Marília Gabriela que ser mãe é não dormir nunca mais. Concordo e acrescento: ser mãe é não parar de se preocupar nunca mais. Toda mãe é um pouco médica para cuidar, um pouco engenheira para construir com Lego, um pouco escritora para inventar histórias na hora de dormir, um pouco professora na hora de ensinar e muito mãe na hora de amar.







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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Alice não mora mais aqui – Minecraft tomou o seu lugar


fonte : 
 
Ultimamente tenho me deparado com a mesma queixa das mães (principalmente de meninos, mas não só deles) sobre crianças de7 a 10 anos, vivendo num mundo acelerado de ipads, tablets, PS4 e Xbox One. Com isso, me vem à cabeça a história de Alice no país das Maravilhas.
Vocês devem estar se perguntando o que Alice tem a ver com Minecraft, Dragon City ou Clash of Clans. Tem a ver com afirmação e negação e com encontrar seu lugar num mundo que nem sempre faz sentido. Principalmente para uma criança saída do mundo da fantasia para enfrentar o mundo real. Os jogos eletrônicos criam mundos imaginários aonde tudo é possível. Você pode minerar, chocar um ovo de dragão, batalhar contra outros povos. É o prolongamento amadurecido das histórias de heróis e princesas, que agora nossos filhos têm certeza que não existem.

É uma forma de continuar criança ou o ingresso para o mundo adulto ?
Alguns psicólogos afirmam que os games podem trabalhar a timidez e o auto aprendizado, desenvolvendo raciocínio lógico e ampliando a linguagem, já outros afirmam que os games podem incitar a violência, o comportamento antissocial e queda no rendimento escolar. Depende. Depende da criança e do ambiente em que está inserida.

De novo o que Alice tem a ver com isso ? Vamos relembrar a história (idéia genial, mas muito mal contada por sinal) : Alice segue um coelho de colete com um relógio na mão, cai num buraco, fica pequena e grande uma porção de vezes, não tem mais certeza de quem é, embaralha os poemas que aprendeu na escola e não acerta mais os resultados da multiplicação;  conhece um monte de bichos falantes malucos e acaba na mão da autoritária Rainha de Copas, que manda cortar as cabeças de todo mundo, mas nunca cumpre as sentenças.
O que acontece com as crianças dessa faixa etária ? Estão crescendo !!!!!! Seu corpo mudando e perdendo todas as roupas !!! Assim como Alice, perdem as referências seguras da primeira infância, lidam com  adultos que exigem compreensões que muitas vezes elas ainda não tem e ouvem de seus pais, agora tidos como autoritários, que elas tem que aprender a se virar sozinhas, afinal "mãe não é para sempre" !!!!!!

E os games ? Ah, os games são o porto seguro, o local aonde eles tem o controle, sem adultos por perto para mandar. Eles não aceitam responsabilidades ?  Muito pelo contrário. Precisam alimentar e cuidar de dragões, buscar minérios para construir ferramentas para caçar (se não sua Skin morre de fome), construir abrigos, defender seu território. São responsáveis e organizados.
Como trazer para fora dos tablets essa responsabilidade, agora parece ser o maior desafio dos pais. É preciso mostrar às crianças que elas podem assumir responsabilidades também na vida real e isso pode ser tão legal quanto Minecraft ou Clash of Clans.

Alice aprendeu sua lição, espero que nossos filhos também aprendam antes de “perderem suas cabeças”.

Bjs e Boa Sorte

Vivian Braunstein
Consulta :



segunda-feira, 23 de maio de 2011

Elogie do jeito certo





Imagem :http://www.sxc.hu/profile/bian0821




Recebi este "viral" por email e achei interessante compartilhar. É do psicólogo, professor de matemática e mestre em educação Marcos Meier, especialista na teoria da Modificabilidade Estrutural Cognitiva de Reuven Feuerstein, em Israel. Também conhecida como teoria da Mediação da Aprendizagem. Vamos refletir :

"Recentemente um grupo de crianças pequenas passou por um teste muito interessante. Psicólogos propuseram uma tarefa de média dificuldade, mas que as crianças executariam sem grandes problemas. Todas conseguiram terminar a tarefa depois de certo tempo. Em seguida, foram divididas em dois grupos.
O grupo A foi elogiado quanto à inteligência. “Uau, como você é inteligente!”, “Que esperta que você é!”, “Menino, que orgulho de ver o quanto você é genial!” ... e outros elogios à capacidade de cada criança.
O grupo B foi elogiado quanto ao esforço. “Menina, gostei de ver o quanto você se dedicou na tarefa!”, “Menino, que legal ter visto seu esforço!”, “Uau, que persistência você mostrou. Tentou, tentou, até conseguir, muito bem!” ... e outros elogios relacionados ao trabalho realizado e não à criança em si.
Depois dessa fase, uma nova tarefa de dificuldade equivalente à primeira foi proposta aos dois grupos de crianças. Elas não eram obrigadas a cumprir a tarefa, podiam escolher se queriam ou não, sem qualquer tipo de consequência.
As respostas das crianças surpreenderam. A grande maioria das crianças do grupo A simplesmente recusou a segunda tarefa. As crianças não queriam nem tentar. Por outro lado, quase todas as crianças do grupo B aceitaram tentar. Não recusaram a nova tarefa.
A explicação é simples e nos ajuda a compreender como elogiar nossos filhos e nossos alunos. O ser humano foge de experiências que possam ser desagradáveis. As crianças “inteligentes” não querem o sentimento de frustração de não conseguir realizar uma tarefa, pois isso pode modificar a imagem que os adultos têm delas. “Se eu não conseguir, eles não vão mais dizer que sou inteligente”. As “esforçadas” não ficam com medo de tentar, pois mesmo que não consigam é o esforço que será elogiado. Nós sabemos de muitos casos de jovens considerados inteligentes não passarem no vestibular, enquanto aqueles jovens “médios” obterem a vitória. Os inteligentes confiaram demais em sua capacidade e deixaram de se preparar adequadamente. Os outros sabiam que se não tivessem um excelente preparo não seriam aprovados e, justamente por isso, estudaram mais, resolveram mais exercícios, leram e se aprofundaram melhor em cada uma das disciplinas.
No entanto, isso não é tudo. Além dos conteúdos escolares, nossos filhos precisam aprender valores, princípios e ética. Precisam respeitar as diferenças, lutar contra o preconceito, adquirir hábitos saudáveis e construir amizades sólidas. Não se consegue nada disso por meio de elogios frágeis, focados no ego de cada um. É preciso que sejam incentivados constantemente a agir assim. Isso se faz com elogios, feedbacks e incentivos ao comportamento esperado.
Nossos filhos precisam ouvir frases como: “Que bom que você o ajudou, você tem um bom coração”, “parabéns meu filho por ter dito a verdade apesar de estar com medo... você é ético”, “filha, fiquei orgulhosa de você ter dado atenção àquela menina nova ao invés de tê-la excluído
como algumas colegas fizeram... você é solidária”, “isso mesmo filho, deixar seu primo brincar com seu video game foi muito legal, você é um bom amigo”. Elogios desse tipo estão fundamentados em ações reais e reforçam o comportamento da criança que tenderá a repeti-los. Isso não é “tática” paterna, é incentivo real.
Por outro lado, elogiar superficialidades é uma tendência atual. “Que linda você é amor”, “acho você muito esperto meu filho”, “Como você é charmoso”, “que cabelo lindo”, “seus olhos são tão bonitos”. Elogios como esses não estão baseados em fatos, nem em comportamentos, nem em
atitudes. São apenas impressões e interpretações dos adultos. Em breve, crianças como essas estarão fazendo chantagens emocionais, birras, manhas e “charminhos”. Quando adultos, não terão desenvolvido resistência à frustração e a fragilidade emocional estará presente.
Homens e mulheres de personalidade forte e saudável são como carvalhos que crescem nas encostas de montanhas. Os ventos não os derrubam, poiscresceram na presença deles. São frondosos, copas grandes e o verde de suas folhas mostra vigor, pois se alimentaram da terra fértil.
Que nossos filhos recebam o vento e a terra adubada por nossa postura firme e carinhosa."


Bjs e boa sorte


Vivian Braunstein

domingo, 8 de agosto de 2010

Feliz dia dos pais

O psicanalista infantil Antonie Alaméda diz que a maior contribuição dos pais, hoje muito presentes na educação dos filhos, é criar crianças soltas e destemidas o que as prepara melhor para vida. Se mãe é médica, professora e conselheira, pai é companheiro, mestre e amigo. Feliz dia dos pais a todos !!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Cuidado! Seu filho não é um robô. A superproteção que pode ser invasiva.

Foto : Divulgação Dysney - Procurando Nemo
Tenho escutado reclamações de várias mães de pré-adolescentes sobre a apatia, falta de vontade e depressão de seus filhos. Fato corriqueiro nas novas gerações, lota consultórios de psicólogos e angustia pais que não sabem mais o que fazer para tirar seus filhos desta situação, e aí é que está o problema : de tanto planejar e tentar resolver os problemas dos filhos, os pais não os deixam aprender a lidar com as situações cotidianas, sufocando sua espontaneidade e moldando sua personalidade de forma opressiva.

O que nós, pais de pré escolares, temos a ver com isso ? Tudo. O problema começa na educação da primeira infância.

Por um lado pais superprotetores preocupados com a violência e com a falta de tempo para se dedicarem aos filhos procuram compensar as frustrações da criança fazendo tudo por ela. Por outro lado, as dificuldades do ambiente profissional direcionou os pais a planejarem a carreira de seus filhos desde a hora que nascem.

Traduzindo : criança de classe média não tem mais tempo para brincar ou ficar sem fazer nada, vai à escola (de preferência bilíngue), faz judô, balé, inglês, natação, vai na casa dos amigos que os pais escolhem e aos finais de semana vai à festas em bufês ou a mini Playcenters em Shoppings aonde brinca praticamente sozinha. Mas nunca sem a supervisão de um adulto. E ai da escola ou local de recreação que não tenha monitores suficientes para cuidarem das crianças. Também conheço vários pais que já decidiram a profissão dos filhos, inclusive a faculdade. Se não for de primeira linha, não vão ganhar carro !!!!!!!!!!!!! E se não forem médicos, advogados ou engenheiros e decidirem ser jogadores de futebol, modelos, cabeleireiras, chef de cozinha ? Não terão mais o amor dos pais ?

Cuidado, o "tiro pode sair pela culatra" e ai invés de adultos profissionalmente bem preparados teremos uma geração de pessoas temerosas e sem criatividade para solucionar problemas e inovar. A jornalista americana Hara Estroff Marano já alertou sobre uma geração de fracos que assumirá os EUA no futuro em seu livro "A Nation of Wimps: The High Cost of Invasive Parenting" (Uma Nação de Fracos: O Alto Custo da Paternidade Invasiva), infelizmente sem versão nacional.

Ao planejarmos a vida de nossos filhos como se fosse uma empresa (de preferência com ISO 9001) deixamos de orientar para direcionar sua vida e personalidade. Aprendemos com nossos erros, logo quem não erra não aprende. Vivência está baseada em experiências, por isso é preciso deixar as crianças experimentarem a vida.

Nós já vivemos nossa infância. Erramos, acertamos e nos arrependimos. Não devemos jogar nossas frustrações em cima de nossos filhos. Temos a obrigação de alertar, explicar, dar noções, mas eles é quem precisam decidir mesmo que errado. Também não devemos criticar seus erros e sim ajudá-los a aprenderem suas lições. Por isso, nada de brigar com a escola se a professora não dedica 100% do tempo a seu filho. Ele precisa aprender a sociabilizar, dividir a atenção e respeitar os outros.

Talvez assim nossos filhos não se transformem em adolescentes reclusos, sem autonomia, com medo das pessoas e das situações cotidianas, que vivem mais num mundo virtual (seguro e fantasioso) do que no mundo real, com ódio dos pais e rejeitando tudo aquilo que nos esforçamos tanto para fazer por eles.

Bjs e boa sorte

Vivian Braunstein

Fonte : http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=1592
http://www2.uol.com.br/vyaestelar/filho_unico.htm
http://www.lampel.com.br/CuidadoFragil.pdf

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Álbum da copa do mundo, star wars e clássicos toons – e o ciclo se repete


De tempos em tempos os modismos se reinventam. Quem foi criança entre as décadas de 70 e 80 já viu este filme : colecionar e trocar figurinhas, assistir star wars, ir ao cinema aos domingos de manhã para ver Tom tentando sem sucesso alcançar o espertíssimo Jerry e assistir ao Scooby Doo na hora do almoço. Pois é, hoje (mais de 30 anos depois) nossos filhos estão fazendo as mesmíssimas coisas, guardadas algumas diferenças.

Pegando carona na copa deste ano, as crianças (e os pais) redescobriram o prazer de colecionar figurinhas. O fenômeno do álbum da copa se espalhou de tal maneira, que se tornou comum ver crianças sentadas em roda trocando as repetidas e contando com orgulho os poucos espaços em branco que faltam para completar o álbum. Moda na década de 70, o hobby de colecionar figurinhas retomou seu status com a versão da copa a ponto das figurinhas esgotarem nas bancas e serem roubadas no distribuidor.

Seguindo por este mesmo caminho de resgatar tendências, o cineasta George Lucas lançou, junto com o Cartoon Network, a segunda temporada da série animada Star Wars a Guerra dos Clones, com direito a reprise dos três primeiros episódios da saga que contam como Anakin Skywalker passou de aprendiz de Jedi a mega vilão (Darth Vader). Na cola do lançamento na TV, uma enxurrada de bonecos, espadas e acessórios invadiram as prateleiras das lojas.

Outra boa novidade do canal é o aumento da veiculação de desenhos clássicos como Tom e Jerry, Scooby Doo e Turma da Mônica, que vêm repaginados e agradam tanto às crianças quanto aos pais.

Tudo isso nos faz pensar : Por mais que o mundo evolua e surjam novos aparatos tecnológicos que amadurecem as crianças mais cedo devido ao bombardeio de informações, a diversão simples e histórias bem contadas sempre farão sucesso em todas as gerações.

Bjs e Boa diversão

Vivian Braunstein

sábado, 27 de março de 2010

Isabella Nardoni

Fonte : http://centraldenoticias.files.wordpress.com/2008/04/isabella.jpg

Hoje de madrugada o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram condenados pelo assassinato de Isabella, filha dele com Ana Carolina de Oliveira. O caso faz pensar não somente na justiça feita brilhantemente pelo júri popular, mas também na forma como as famílias vêm se articulando nos dias de hoje.

Mais comum do que se imagina, a figura da madrasta é normal em vários lares brasileiros, e faz pensar se uma mulher consegue criar como seu o filho de outra mãe presente. Diferente da adoção onde ambos os pais desejam um filho que não podem ter por motivos biológicos, a madrasta recebe no pacote filhos que talvez não deseje.

A mídia noticiou que Anna Jatobá tinha ciúmes, e pela reconstituição da polícia ela foi a agressora que causou o desfalecimento da menina, que culminou no assassinato.

A sociedade precisa desmistificar a máxima de que toda mulher nasceu para ser mãe. Conheço mulheres que são péssimas mães e não fazem questão de mudar isso, como também conheço mulheres que dariam mães maravilhosas, mas não tem oportunidade para ser.

Uma coisa é certa, cuidar de criança não é nada fácil. Lindas e fofinhas, são pessoas em busca de espaço e os pais são a primeira “barreira” nesta conquista. Sem maturidade para lidar com a situação, enfrentam e provocam muitas vezes tirando do sério adultos que também não têm maturidade e preparo para lidar com a situação. Talvez tenha sido este o caso da família Nardoni.

Não os defendo, muito pelo contrário, acho justíssima a condenação, mas acho que além da sensação social de justiça feita, este caso deviria servir de exemplo e reflexão. Vai além da discussão sobre bater para educar, que alimentou a mídia há dois anos, e deve nos fazer pensar em como as relações atuais estão mudando toda a estrutura familiar e em como nós pais vamos lidar com isso daqui para frente.

Quando um adulto aceita casar-se com alguém que já tem filhos precisa preparar-se para isto. Na cabeça da criança, pai e mãe deveriam morar na mesma casa, por isso além das atitudes de oposição normais da idade, a criança certamente direcionará sua frustração para madrasta ou padrasto. Sem contar a imagem enraizada da vilã dos contos de fadas, criada para preservar a imagem da mãe. Às vezes é preciso auxílio profissional de um psicólogo para entender como não cair no jogo da criança.

No fundo faltou jogo de cintura para Anna Jatobá e Alexandre Nardoni ao lidarem com Isabella, o que culminou numa tragédia que talvez pudesse ter sido evitada.

Conheço outras mulheres que cuidam dos filhos do primeiro casamento do marido e todas tem a mesma reclamação de que as crianças as enfrentam e as desafiam, pois vem com outros costumes da casa da mãe, ou dizem que vem.

Sempre enfatizo a dificuldade de criar uma criança, ouço sempre mães reclamando, e a influência externa é cada vez mais forte (amigos de escola, TV, internet). Por isso paciência (às vezes difícil de ter) ainda é o maior remédio.

Uma madrasta nunca substituirá a figura materna na cabeça da criança, e isso deve ficar claro para ela e para criança. Não dá para exigir que a criança goste mais dela do que da mãe (por pior que a mãe seja), mas é possível acomodar a situação de forma harmônica se as pessoas tiverem consciência de seu papel dentro da estrutura familiar.

A madrasta deve se comportar como a professora da escola, auxiliando na educação com carinho e sendo firme quando necessário. Não deve esperar que a criança que não é sua e que tem mãe presente a considere como mãe. Nós temos pensamentos e sentimentos complexos, mas as crianças não. Na primeira infância, a ligação com a mãe é muito forte, e não será quebrada por mais que a mãe biológica pise na bola.

No geral, não devemos jogar nossas expectativas e frustrações em nossas crianças. Elas precisam de orientação, mas também precisam de espaço, por isso exigir sentimentos e comportamentos incompatíveis com sua personalidade e características é se frustrar e frustrar a criança.

Se o casal Nardoni entendesse Isabella como ela era, percebendo que no fundo ela não aceitasse a situação de outra família, ou fizesse birra para chamar atenção, ou se Anna Jatobá não fosse tão egocêntrica e respeitasse o fato da filha do marido ter uma mãe que amava e que ela como madrasta deveria complementar a educação da menina e não substituir a mãe, talvez esta tragédia tivesse sido evitada.

Que fique a lição para todos nós de que uma criança é uma pessoa em desenvolvimento que precisa ser entendida e respeitada e que a falta de compreensão, pode levar a uma situação irremediável.

Força Ana Carolina de Oliveira (mãe de Isabella).

Bjs e boa sorte

Vivian Braunstein

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Inclusão escolar e redes sociais

Imagem : http://discutindosobreinclusao.pbworks.com/f/1214860493/82ab.jpg.gif


“A educação inclusiva é uma força renovadora na escola, ela amplia a participação dos estudantes nos estabelecimentos de ensino regular. Trata-se de uma ampla reestruturação da cultura, da nossa práxis e das políticas vigentes na escola. É a reconstrução do ensino regular que, embasada neste novo paradigma educacional, respeita a diversidade de forma humanística, democrática e percebe o sujeito aprendente a partir de sua singularidade, tendo como objetivo principal, contribuir de forma que promova a aprendizagem e o desenvolvimento pessoal para que cada um se construa como um ser global” Elisete Camargo Zimmermann. Disponível em :
www.webartigos.com/articles/5190/1/Inclusao-Escolar/pagina1.html

Mesmo sendo lei desde 1996, só agora a inclusão de crianças com deficiência na rede de ensino vem ganhando corpo. Esta ação vai além do direito e se mostra muito rica e construtiva num mundo sem fronteiras. Via de mão dupla, inclui pessoas com competências e potencialidades a serem exploradas num grupo social e auxiliam as crianças a enxergarem as diferenças como uma coisa normal. O fato de existir um cadeirante na turma do seu filho da mesma forma como existem crianças que não usam cadeira de rodas, ajuda a construir uma imagem positiva das diferenças. Sem contar no benefício para as crianças inclusas, que em grupos conseguem desenvolver-se melhor.

Sempre ressalto a importância de passarmos valores aos nossos filhos e este é mais um valor que a escola traz num momento oportuno, já que vivemos num mundo aonde não é mais possível ter o controle total com quem nossos filhos se relacionam.

Conheço mães que escolhem as amizades de seus filhos usando os mais diversos critérios (eu uso os valores familiares), mas a partir do momento que eles aprendem a usar as redes sociais isso vai por água abaixo.

Como fazer então para não controlar demais a criança e também não deixar as coisas “correrem soltas” ? Valores bem estruturados na primeira infância, até os 6 anos quando a criança está formando sua personalidade são de extrema importância, mas não são tudo. Uma criança é um HD vazio que vai se enchendo de informação ao longo da vida e nem sempre é possível controlar a qualidade da informação.

A educação humanista, baseada em valores e respeito à diversidade vai auxiliar os pais nos momentos mais difíceis da passagem para adolescência.

A vida é dinâmica e o corpo frágil. Assim, todos nós estamos sujeitos às adversidades, por isso pense bem antes de excluir alguma criança para a próxima festinha de seu filho.

Bjs e boa sorte.

Vivian Braunstein

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Reflexões sobre a escola

Foto: http://www.discoverykidsbrasil.com/personagens/princesas_do_mar/galeria/2.shtml

Todo começo de ano escuto mães elogiando, reclamando e se questionando sobre a escola dos filhos. Talvez o problema não seja a escola em si e sim a incompatibilidade das expectativas dos pais com ela.

Para escolher a escola ideal para seu filho é preciso ter muito claro alguns pontos. Não existe unanimidade. Uma determinada escola pode ser excelente para uma criança e péssima para outra. Faça uma lista objetiva do que você espera. É importante ter bem claro a relação de expectativas x produto oferecido.
Se vocês são pais que buscam bons relacionamentos, por exemplo, saibam que precisarão investir mais do que o valor da mensalidade. Para ser aceita no grupo, a criança precisa compartilhar gostos e ações comuns. Não se faz relacionamento de segunda a sexta por ½ período. Seu filho terá de ir a festas (presente), cinema, lanchonete, clube, etc... Isso sem contar as roupas e acessórios que são moda no grupo.

Outros pais buscam o preparo para ingresso em boas faculdades de cursos tradicionais como medicina, engenharia e direito. Estes pais se frustram quando a escola segue uma metodologia diferente da tradicional que é baseada no aprendizado por repetição (a famosa “decoreba” – repete, repete até entrar por osmose). Nada contra este método, muito pelo contrário, a maioria dos adultos com mais de 40 anos estudou assim e temos inúmeros profissionais bem sucedidos no mercado, mas existem outros que estimulam o aluno a pensar e desenvolvem a curiosidade que leva à pesquisa (Como isso acontece, porquê acontece, de onde vem).

Por isso é importante conhecer a escola antes de matricular seu filho. Quando visitei a do meu, fiquei encantada com o discurso da orientadora sobre um projeto aonde as crianças do infantil pesquisavam sobre idade média, reis e castelos a partir de um conto de fadas.

Por outro lado conheço mães que não se sentem confortáveis com este tipo de didática por acreditarem que não estimula seus filhos o suficiente nas áreas que acreditam ser vitais nos estudos. Para elas recomendo a escola tradicional. Porém é preciso ter cuidado para não criar conflito entre as expectativas dos pais e a personalidade dos filhos. Não adianta querer que uma criança extremamente curiosa e aventureira passe as tardes estudando os pintores renascentistas. Provavelmente ela não será uma boa aluna. Não por incapacidade, mas por incompatibilidade. Ela achará tudo chato e se desinteressará pelos estudos, ao passo que, se estivesse numa escola que trabalha o aprendizado por competências, talvez reproduzisse as pinturas renascentistas na aula de artes, e se desenvolveria melhor.

Sempre disse que se a criança não tem problemas físicos ou neurológicos que prejudiquem a aprendizagem, não existe mau aluno e sim aula mal dada ou inadequada ao seu perfil.

Existem inúmeras razões para colocarmos nossos filhos numa escola e não em outra (proximidade de casa, grupos sociais, nome da escola, valor da mensalidade, indicação de amigos ou da mídia), mas que dentro destes critérios entre também o estilo da criança. A escola e o estudar precisam ser encarados pelos pais como o preparo para a vida adulta da criança em todos os aspectos e por isso deve ser uma experiência agradável, afinal ela passará no mínimo 13 anos de sua vida lá.

Reflitam bem e boa sorte.

Vivian Braunstein

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Salve a diversidade !!!!!!!!

Foto:www.africatodayonline.com/.../

Hoje fui coagida por uma vizinha a proibir que meu filho e a babá fiquem no hall do prédio, pois ela acredita que “um monte de babás sentadas no sofá denigre a imagem do condomínio”. Fiquei tão chocada que não consegui responder nada na hora.

É uma moça nova, que eu nunca tinha visto antes, e que provavelmente não tem filhos, mas e quando tiver ? Vai escondê-los dentro do armário ? Vai contratar uma babá com curso universitário para não ficar constrangida quando sair em público ? Ou pior vai tratá-la como cachorro ?

Depois que passou minha raiva comecei a pensar no tipo de educação que damos a nossos filhos.
Hoje é imprescindível que eles aprendam a conviver com a diversidade, pois do contrário, não sobreviverão na sociedade que está se desenhando a partir da globalização e do acesso à informação. A chamada classe D tem computador em casa e não é mais ignorante (no sentido literal da palavra de desconhecimento). Vários profissionais de marketing nem classificam mais as pessoas por classes sociais (valor ligado à condição financeira) e sim ao estilo da pessoa. Desta forma grupos com gostos em comum, mas bolsos diferentes entram na mesma classe.

E é isso que devemos passar para nossos filhos. Devemos ensiná-los que dinheiro no bolso ou cor de pele não são critérios para seleção de relacionamentos e sim pessoas com objetivos em comum. Conheço pessoas que correm atrás de relacionamentos baseados em poder aquisitivo e nunca saem do lugar.

Temos o privilégio de vivermos num mundo onde a informação está cada vez mais acessível, por isso é incompreensível que alguém se ache mais que o outro. Já falei uma vez sobre valores e continuo acreditando que são os bens mais preciosos que deixamos para nossos filhos. É preciso ensiná-los desde cedo a respeitar o próximo (independente de quem seja), a serem cordiais, a acreditarem numa religião.

Valores são tão importantes na formação do caráter quanto a imposição de limites e assim talvez aquele viral que circula na internet sobre pais brigando com a professora por ter reprovado seu filho mal aluno, deixe de existir.

Bjs

Vivian Braunstein

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Quando os pais se separam

Ao ter um filho, o casal deve estar consciente de que uma criança (que não pediu para vir ao mundo) precisa de amor, proteção, educação e regras para crescer saudável e tornar-se um adulto equilibrado.

Hoje é cada vez mais comum a participação do pai na criação dos filhos e está cada vez mais claro que um ambiente familiar estruturado promove crianças psicologicamente saudáveis. Na teoria tudo é lindo, mas na prática nem sempre as coisas funcionam desta forma.

Com a evolução da sociedade e as conquistas femininas, a mulher adquiriu independência financeira e perdeu o medo de separar-se quando o casamento não está mais dando certo; o que traz uma nova realidade familiar : A de uma criança com duas casas.

Escutei recentemente de um pai, que na maioria dos casos de divorcio, o homem casa-se novamente e tem outros filhos constituindo nova família. Então, como proceder para que este processo não crie problemas emocionais futuros ?

Primeiro é preciso entender o que acontece na cabeça da criança quando ocorre a separação : Antes dos 6/7 anos ela é egocêntrica e acredita ser sua a culpa do fracasso do relacionamento dos pais. Se estiver na fase edipiana, piorou, pois vê seus desejos se tornarem realidade. Muitas vezes ela regride nas conquistas da autonomia, torna-se agressiva ou introspectiva, “pegando as dores” do cônjuge que parece ter sido abandonado (principalmente se o outro casar-se logo).

É necessário muito cuidado para ajudá-la a superar a ruptura de uma relação parental. Primeiro, é preciso ter em mente que o casal deixou de ser marido e esposa, mas jamais deixará de ser pai e mãe e a criança deve ficar sempre de fora das negociações e brigas judiciais, afinal ela não tem nada a ver com a relação homem-mulher dos pais.

Como na maioria dos casos de separação, a guarda dos filhos fica com a mãe, o pai não deve sumir (ele separou-se da esposa e não deles), mantendo uma rotina de encontros (estabelecida pelo ex-casal ou juiz) e obrigando-se a cumpri-la. A pior situação para uma criança é ficar sentadinha, pronta, esperando por um pai que não aparece, ou que aparece dias depois com uma desculpa esfarrapada. Importantíssimo : por mais que os adultos recomponham sua vida, não podem esquecer que seu filho (a) faz parte dela e que devem ter tempo em suas agendas para ele (a). O mesmo vale para situação inversa, quando a guarda é do pai. Filhos precisam sentir-se queridos, independente de quantas casas tenham.

É importante também, que a imagem dos pais seja preservada, pois continuarão a ser o modelo de comportamento, por isso nada de falar mal do outro, nem bagunçar a vida das crianças, mesmo que estejam em litígio. Isso não ajudará nas negociações do divorcio e aumentará a angustia delas, que terão que conviver com o dualismo entre o amor e ódio que os rodeiam no momento.

Muitas mães abrem mão da sua felicidade em prol dos filhos “traumatizados”, mas segundo especialistas, a recomposição da família em conseqüência de um segundo casamento pode ser benéfica já que traz uma nova reconfiguração familiar. Porém padrasto e madrasta não devem interferir em decisões exclusivamente parentais como assuntos escolares e médicos. Este tipo de interferência é muito comum, afinal trata-se de um assunto pessoal do cônjuge. Cuidado ! Por mais amor que um padrasto ou madrasta possa ter pelos filhos de sua parceira ou parceiro; quando a criança tem pai e mãe vivos a responsabilidade é deles. Cabe aos primeiros auxiliarem na educação e modelo de comportamento, principalmente porque os sentimentos da criança são ambíguos em relação a eles. Ao mesmo tempo em que sente afeição, acredita estar “traindo” seu pai /mãe por estar substituindo alguns momentos felizes que poderia estar passando junto com ele (a).

Não é fácil separar-se quando existem outras vidas envolvidas, e por isso, muitos casais mantêm-se juntos mesmo desejando secretamente estarem separados. Apesar do turbilhão de sentimentos conflitantes que aparecem com uma separação é preciso entender que as crianças precisam de serenidade e atenção para superarem esta etapa de suas vidas e seguirem com suas conquistas de forma saudável e equilibrada.

Referências :
Mil dicas para entender seus filhos de 0 a 7 anos -Harry Ifergan e Rica Etienne

Manual de mães e pais separados - guia para a educação e a felicidade dos filhos - Marcos Wettreich



Bjs e boa sorte

Vivian Braunstein

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Dia dos professores

Foto : Sociedade dos Poetas Mortos e o Sorriso de Monalisa

Como dia 15 de outubro é o dia dos professores achei importante homenagear estes profissionais que auxiliam no cuidado de nossos filhos, independente da idade que eles tenham. Ser professor é ser especial, pois aquele que compartilha de seu conhecimento com paciência e dedicação merece todo nosso respeito.

Recebi um viral (e-mail que a gente recebe e repassa e não sabe direito de onde se originou) que reflete bem como a relação pais & mestres mudou, quando compara a postura dos pais da década de sessenta que puxavam a orelha do filho quando o boletim vinha com notas vermelhas e a postura atual dos pais que puxam a orelha do professor quando isto acontece. Voltamos a cair na velha história da superproteção e falta de imposição de limites para compensar a ausência e falta de paciência dos pais com os filhos.

Realmente algumas vezes o problema está no profissional, mas muitas vezes está na falta de entendimento da família de que seu filho pode ter algum problema. Escutei de uma mãe, sobre uma criança de 4 anos que tinha medo de bruxa e ela (mãe) gostaria que a professora parasse de contar histórias aonde aparecesse este personagem, para que sua criança parasse de ter pesadelos. Ora, crianças de 4 anos tem pesadelos, mesmo que os pais façam todos os esforços para protegê-las. É a fase dos conflitos e eles serão colocados para fora de alguma forma, com ou sem bruxas. Provavelmente a professora quis estimular a fantasia para que seus alunos pudessem lidar melhor com este tipo de conflito.

Em outro caso escutei de uma mãe que a maioria das crianças estava com dificuldade de aprendizado numa determinada matéria. Provavelmente, neste caso, o problema fosse a didática da professora.

Numa discussão grupal entre os pais, sobre o que dar de presente para os professores, foi um professor que deu a melhor resposta ao mandar, via agenda, um presente de dia das crianças acompanhado de uma carta. Dois balões uma moeda e uma porca. Era para colocar a porca e a moeda dentro dos balões, encher e se divertir com os barulhos e movimentos. Achei genial o resgate do fato de “dar” independente do que. Meu filho se divertiu à beça mesmo quando estourou os balões (a maior diversão de todas).

Acredito que o simples fato de ser homenageado mostra ao professor o quanto ele está sendo recompensado por sua dedicação. Por isso meu sincero obrigada à estes profissionais que se dedicam a ensinar, a pensar, a conviver a sermos pessoas melhores. Independente da idade dos alunos e do curso aonde ministram, parabéns !!!!!!!!

Bjs e boa semana.

Vivian Braunstein

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Valores, religião e cidadania

Prometi para esta semana um post sobre a fase do escatológico, mas ainda não consegui pesquisar o suficiente para escrever. “Sorry mammys”, fica para semana que vem.

Esta semana resolvi falar um pouco sobre um assunto que acho essencial à formação de uma criança: os valores que vem de casa e a escola ou amigos dificilmente conseguirão ensinar a seu filho como você.

Até os 6 ou 7 anos a criança sofre fortes influências de seus pais ou responsáveis, por isso é importantíssimo não só ensinar como também dar o exemplo à respeito de valores, crenças e cidadania. Uma criança que aprende a respeitar o próximo, mesmo numa condição sócio-econômica inferior a dela cresce um adulto mais justo e até mais preparado para o mercado de trabalho, por aprender a conviver com a diversidade de forma justa e equilibrada.

Não vou fazer apologia a nenhuma religião, mas ter fé, acreditar e temer (sem exageros ou fanatismos) também são valores fundamentais. A criança precisa entender que o Natal é muito mais do que ganhar presentes, sem contar que o mito do Papai Noel alimenta a fantasia e reforça a máxima do bem sendo recompensado no final, questão também ilustrada nos contos de fadas. Este tipo de simbolismo existe praticamente em todas as religiões, mas não adianta querer explicar o que é Deus ou outros assuntos mais complexos, pois nesta fase a criança não está neurologicamente preparada para absorver o abstrato, apesar de começar a conviver e se interessar pela morte.

É a partir dos ensinamentos e exemplos vindos de casa que construímos o comportamento futuro de nossos filhos. Se você ensina a não jogar papel no chão, também não jogue, se ensina a escovar os dentes, escove os seus na frete dele, e assim por diante. Para a criança, não só na primeira infância, mas principalmente nela, tudo o que os pais fazem é o correto. Na adolescência surge a fase da contestação de valores, porém na fase adulta estes valores automaticamente voltam, principalmente quando nossos filhos viram pais.

A referência da mãe é muito forte na criação e mães e pais, acabam resgatando os valores de suas mães quando vão educar seus filhos.

Iniciei a conclusão da minha monografia com esta frase, que enxergo como um resumo do nosso comportamento na vida: “O ser humano busca modelos desde o momento que percebe que não é mais uma extensão da mãe até que se transforma, ele próprio, num modelo a ser copiado”. Por isso cuidado com o modelo que mostra para seu filho e com o modelo que está ajudando a construir para ele. Se você grita, ele gritará de volta, se você dá amor, ele lhe retribuirá mesmo entre birras.

Então como ficam os limites? Eles precisam existir também, pois fazem parte da vida. Infelizmente ou felizmente ninguém pode sair por aí fazendo o que quer. Acho que colocar limites é a parte mais difícil da educação, mas é necessário e a criança entende que a bronca, o castigo, a negociação também são formas de amor.

Acho triste ver meninas de 8 ou 9 anos andando na rua ao lado da mãe com sapato de bico fino e salto alto e com maquiagem no rosto. Ser feminina e vaidosa é muito legal, mas tudo tem sua hora e a mãe precisa saber dizer que não é nesta idade que se usa este tipo de sapato ou de maquiagem. São momentos pontuais como estes que fazem a diferença sobre a segurança e auto-estima da pessoa na fase adulta.

Resumindo, dê o bom exemplo, ensine seu filho a respeitar os outros, a acreditar em algo, e a respeitar a cidade, o país e o mundo aonde vive. Ensine-o a usar com sabedoria os recursos naturais para que a vida continue como ele a conhece. Diga-lhe com firmeza que aquele não é o momento ou que aquele é o momento.

Está em nossas mãos transformar o mundo num lugar melhor para se viver, basta passarmos para os nossos filhos os valores em que acreditamos.

Bjs e boa sorte

Vivian Braunstein

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Quando o pai fica em casa



“O pai investe o melhor de si na formação de seus filhos, respeitando o tempo necessário para o seu amadurecimento. Em cada fase da vida, ele transmite a dose certa de ensinamentos, inspirando pelo bom exemplo e incentivando novas descobertas. O pai está sempre ao lado do filho, protegendo e exalando confiança.” Sergio Buaiz - Livro Pai-Líder

Tenho vários casais de amigos que estão sofrendo com a perda do emprego do marido devido à crise. Isso me fez refletir como essa alteração na estrutura familiar pode afetar as crianças.

Existe o lado negativo da tensão e desespero de não ter dinheiro no final do mês para pagar as contas, mas existe também o lado bom do contato mais intenso dos pais com seus filhos.

Porque tantos pais de família estão ficando desempregados? Talvez porque as mulheres ganhem menos e se adaptem melhor às mudanças corporativas. Nossa sociedade está mudando e felizmente ou infelizmente todos acabamos pegando carona nestas mudanças, mas isso não é assunto para ser discutido aqui. Vamos falar das crianças.

A tensão que o desemprego gera pode ser prejudicial a sua saúde e a dos seus filhos. Crianças são sensíveis às mudanças comportamentais dos pais, por isso tente manter a calma, para evitar que seu filho perca o sono, volte a fazer xixi nas calças e comece a bater nos amiguinhos da escola.
Antes privilégio exclusivo das mães, o cuidar dos filhos pelos pais os deixa mais seguros e preparados para o mundo. As mães têm um tendência natural a serem super-protetoras, e chamarem seus filhos de “tesouro”, tchutchuca”, “fofinho”, “lindinha”; já os pais estimulam os filhos a buscarem sua autonomia e costumam chama-los pelo nome.

Fora isso, a divisão de responsabilidades fica mais equilibrada. É importante para o pai entender como é complicado às vezes fazer um filho comer, tomar banho ou dormir. Também é importante para a criança brincar com o pai, independente de ser menino ou menina.

Por isso pegue uma bola e vá brincar entre uma entrevista e outra sem culpa.

Bjs e boa sorte

Vivian Braunstein

domingo, 29 de março de 2009

Violência contra criança – negligência, maus tratos e abuso


Foto : Conselho Tutelar

Ultimamente não tenho muito tempo para nada, mas cada vez que ligo a TV nos canais abertos aparece um “Datena da vida” relatando casos de violência contra crianças e adolescentes. Acho que começou mais forte com o caso da Isabela Nardoni e como deu IBOPE, estes telejornais sensacionalistas continuaram explorando o assunto. Não gosto deste tipo de exploração, mas convenhamos é um tema que precisa ser exposto e discutido, pois a violência contra as crianças precisa acabar. É inadmissível que alguém queira ter domínio total sobre uma criança. Aliás, é inadmissível alguém que queira ter domínio sobre qualquer ser humano.

Para quem ainda não entendeu: crianças são pessoas !!! Tem personalidade própria desde que nascem e merecem ser respeitadas como tal. É claro que em pouca idade testam os limites e às vezes a paciência dos pais, mas merecem toda atenção, carinho e amor. É obrigação dos pais ou responsáveis dar cuidados e proteção àqueles que ainda não tem maturidade para cuidarem-se sozinhos.

Quando os pais negam estes cuidados, por falta de atenção ou interesse, quando as punições são severas demais, ou quando os parentes se acham tão donos das crianças que podem fazer com elas o que bem entendem até mesmo abusando sexualmente, causam danos físicos e psicológicos, na maioria das vezes irreparáveis, que se traduzem em desequilíbrio emocional na fase adulta ou pior na morte da criança.

Segundo os Conselhos Tutelares de todo o país, as denúncias de violência contra crianças somaram 186.415 registros, de 1999 a 2008. Pelo Disque 100, sistema telefônico implantado em 2003, são 54.889 registros de casos por negligência ou agressão física e psicológica, sendo 242 seguidos de morte. Já o Laboratório de Estudos da Criança (Lacri), da USP, que acompanha as denúncias através de diversas fontes e em todo o país, foram registradas 532 mortes entre 2000 e 2007. Ainda segundo o Lacri, somente 10% dos abusos são denunciados (fontes: Ministério Público Federal e Jornal O Globo).

Vocês devem estar se perguntando, os porquês. A resposta infelizmente é simples e dolorosa. A maioria dos casos de violência contra criança é praticada por conhecidos: pais, parentes, agregados e amigos da família em ambientes supostamente seguros, como a residência e a escola. O que acontece, é que a criança não entende os atos como agressão, pois são praticados por seus modelos comportamentais, e acabam não falando o que está acontecendo. Foi o que aconteceu com Isabela. Ela adorava o pai e não “entendia” as agressões que sofria como abusos. Então como identificar se a criança está realmente sendo mal tratada?

Todos os artigos que pesquisei relatam a dificuldade em identificar a violência. Somente em casos de infecções e febre é que a maioria dos pais leva as crianças ao hospital e os médicos detectam os sinais da violência. Professores estão sendo treinados para detectar as agressões, mas e as crianças que não vão à escola ?

Com certeza crianças apáticas, sem brilho no olhar, sem vitalidade, que não brincam, não se sociabilizam e que tem medo de tudo são prováveis vítimas, mas é preciso cuidado, pois nem sempre é assim. Estes também são sintomas de doenças psicológicas que não tem nada a ver com maus tratos.

O que é certo é que a violência contra a criança acontece no mundo todo e em todas as camadas sociais e é nosso dever fazer alguma coisa para diminuir isso. Torno a repetir, uma criança tem que ser cuidada com amor e carinho, para que se transforme num adulto que tratará suas crianças com amor e carinho num circulo virtuoso e não num circulo vicioso de agressão e maus tratos. Só assim seguiremos para um mundo realmente melhor.

Boa semana

Vivian Braunstein

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Criando filhos


Tenho um filho de 3 e 1/2 anos e há muito tempo desejo trocar experiências com outras mães sobre a árdua tarefa de educar bem um filho. Conversando com várias amigas, percebi que muitos dos problemas que enfrentamos são os mesmos: O eterno narizinho escorrendo, as "ites" (otites, rinites, amidalites, etc..), as birras, as vontades, os super heróis (as princesas para as meninas), os porquês, as saias justas, enfim tudo o que uma mãe de primeira viagem passa e acha que é só com ela, mas felizmente não é.

Tenho lido algumas coisas bem legais sobre isso. Um livro bacana que recomendo é "A TV que seu filho vê" da Bia Rosenberg, que trabalhou 20 anos na coordenação de programas infantis da TV Cultura de São Paulo. É um livro super fácil e rápido de ler, mesmo que você seja multitarefa (casa, trabalho, marido, filhos). Não vou contar pra não estragar, mas uma coisa é certa: Vivemos numa sociedade aonde a televisão é acessório fundamental na maioria das casas e o que nossos filhos assistem influencia diretamente a forma como eles irão perceber o mundo e se relacionar com ele.

Outra dica é para aquelas que não sabem mais o que fazer para diminuir os resfriados: 10ml (uma seringa de antibiótico cheia) de soro fisiológico a temperatura ambiente em cada narina 3 vezes ao dia. É horrível. A criança chora, vomita, esperneia; mas limpa as narinas daquela secreção escura que vira as "ites" e que dão febre e precisam de antibiótico. Comemoro como vitória o fato do meu filho não precisar de antibiótico há 5 meses.

Por enquanto é só.

BJS

Vivian Braunstein