COMENTÁRIOS

Queridas mãe,

É sempre um prazer receber e compartilhar seus comentários à respeito dos post x suas experiências e dúvidas, todos sempre são publicados com muito orgulho, mas peço um enorme favor : NÃO MENCIONEM MEDICAÇÕES em seus comentários pois não poderei publicar. Não somos médicas e sim mães. Somente um médico pode receitar medicamentos e às vezes um remédio que é excelente para uma criança não faz efeito em outra podendo causar mais danos do que melhora.
Sei que posso contar com a compreensão e ajuda de vocês.

Obrigada por acreditarem nas minhas palavras e por compartilha-las.

Bj

Vivian Braunstein

PARA REFLETIR

Uma vez Fernanda Montenegro respondeu à Marília Gabriela que ser mãe é não dormir nunca mais. Concordo e acrescento: ser mãe é não parar de se preocupar nunca mais. Toda mãe é um pouco médica para cuidar, um pouco engenheira para construir com Lego, um pouco escritora para inventar histórias na hora de dormir, um pouco professora na hora de ensinar e muito mãe na hora de amar.







terça-feira, 25 de agosto de 2009

Adenóide

Imagem : http://portalotorrino.site.med.br/fmfiles/index.asp/::XPRO::/A%2BA%20pronto.JPG



Como fiz recentemente a cirurgia de adenóide no meu filho, várias mães vieram me perguntar sobre o assunto e descobri que o problema é mais comum do que se imagina.
A adenóide é um tecido esponjoso localizado atrás das narinas e serve, na primeira infância, como uma barreira de proteção contra microorganismos, quando o sistema imunológico da criança ainda não está totalmente formado.


Quando há alergias ou inflamações, a adenóide incha obstruindo a passagem de ar e fazendo com que a criança respire pela boca. Algumas das consequências da hipertrofia da adenóide são alteração do céu da boca e da arcada dentária, roncos, apnéia e acumulo de secreção dentro da cavidade da face causando sinusite e/ou otite.


Como o sistema imunológico amadurece por volta dos 6 anos, muitos médicos aguardam a criança atingir esta idade para verificar se há regressão do inchaço, mas alguns preferem operar antes para evitar as complicações.


Não sou médica, só mãe, mas assisti de camarote as conseqüências desagradáveis como as otites de repetição e as doses cavalares de antibiótico que não faziam mais efeito.


No dia-a-dia a adenóide também pode trazer empecilhos. Algumas mães relataram que não conseguem tirar a fralda noturna, pois a criança ao respirar pela boca sente mais sede devido ao ressecamento e tem maior volume de urina a noite; outras que a criança ronca e outras que os filhos estão com problemas comportamentais na escola. Isso porque o acumulo de secreção pode “entupir” o ouvido fazendo com que a criança não responda mais aos estímulos auditivos. Isso não significa que ela esteja surda, mas sim, que o impulso auditivo não está chegando ao cérebro e por isso a criança não reage a ele.


Ouvi um caso de uma criança que foi tratada como hiper-ativa, mas na verdade tinha perda de audição em conseqüência de hipertrofia da adenóide.


Então o que fazer ? Operar antes dos 6 anos ou esperar, já que a adenóide é uma proteção natural do organismo ?


Cada caso deve ser discutido e ponderado entre a família e o médico. “Enrolamos” nosso otorrino quase 2 anos por medo da cirurgia, anestesia, etc... Tentamos alopatia, homeopatia, simpatia. Tudo funcionou por um período curto, mas não resolveu o problema na hora que o inverno chegou.


O que posso dizer é que quando a cirurgia é só de adenóide é simples e a recuperação tranqüila, já quando envolve também a retirada das amídalas, a recuperação é um pouco mais chatinha.
O legal de tudo é que mesmo com o coração na mão por aproximadamente 40 minutos os médicos costumam deixar a mãe entrar e segurar seu filho na sala de recuperação enquanto ele volta da anestesia. É um momento único, similar à sensação de pegá-lo nos braços pela primeira vez depois de nascer. Seu filho se sente protegido e você mais tranqüila de que ele respirará melhor daqui para frente.


Se por acaso seu filho / filha tem problemas de adenóide, converse com o médico e analise a possibilidade da operação. Quanto mais cedo for feita mais fácil a recuperação.



Fonte : Dr. Gilberto Sitchin - IPO





 

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Cadê os palhacinhos ?

Esta semana vou fazer a festa de aniversário de 4 anos do meu filho e como temos um alto número de convidados (graças a Deus que temos amigos!) resolvi fazer uma festa caseira só para não passar em branco.

Meu filho escolheu um tema incomum para a idade (que não vou revelar para não estragar a surpresa, pois muitos dos meus leitores são convidados), e como não encontrei, resolvi montar a decoração. Ao sair para região da 25 de março constatei aquilo que havia teorizado no trabalho de conclusão do meu MBA. Está cada vez mais raro, mesmo nas regiões de comércio popular, encontrar temas que não sejam ligados aos personagens licenciados. Nas lojas de artigos para festa e nas de brinquedos, o que se vê é uma profusão de Ben 10, Batmam, Wolverine, Princesa, Barbie e afins.

O que aconteceu com os palhacinhos e ursinhos?

Não são mais populares entre a garotada e por isso não tem saída nas lojas, o que fez com que simplesmente desaparecessem. É muito interessante verificar que até as crianças de famílias com menor poder aquisitivo também desejem os personagens da TV e que seus pais se esforcem para comprar produtos de “marca”, afinal custam mais caro, mas também duram mais.
É uma característica marcante desta geração que se tornou “treinee” de consumidor. Eles já escolhem as marcas que desejam consumir, no caso os personagens, e o comércio popular não ficou alheio a esta movimentação. Existem lojas de brinquedo que importam diretamente personagens, como bonecos da turma do Peter Pan ou da turma do Scooby Doo. Sim “da turma” porque não dá para brincar com o Peter sem o Capitão Gancho, com o Scooby sem o Salsicha, com o Ben 10 sem os alienígenas, e assim vai.

Nossos filhos não brincam mais na rua (por questões de segurança), já usam a Internet antes de saber ler e escrever, assistem televisão desde a hora que levantam e acompanham os pais ao shopping e ao mercado. Tudo isso contribui para formação de seu comportamento futuro.
Sou uma apaixonada por personagens, e acredito que seus brinquedos ajudem no desenvolvimento infantil, mas também sou consciente de que precisamos educar nossos filhos para aprender a consumir.

Na fase pré-escolar, quando a criança está iniciando o processo de sociabilização, escolhe os personagens em razão do grupo ao qual pertence ou deseja pertencer e por isso eles ganham tamanha força.

Como lidar com isso é extremamente delicado. Alguns pais são contra o consumo exagerado dos personagens por não acreditar que tragam benefícios ao desenvolvimento de seu filho, enquanto outros pensam e agem de forma contrária.

O principal é não cortar totalmente este vínculo, pois a criança precisa da fantasia para tornar-se um adulto equilibrado. O que muda é que em época de globalização até a fantasia tornou-se pasteurizada. Cada família tem um grau de permissividade e tolerância com este assunto, mas não dá para coibir totalmente.

Deixe seu filho livre para sonhar e desejar ser o personagem que quiser, porém ensine-o a dosar. Não dá para comprar tudo o que vê, mas também não dá para ficar sem nada.

Os palhacinhos que me desculpem, mas este não é definitivamente o seu momento.

Bjs e boa sorte

Vivian Braunstein

sábado, 8 de agosto de 2009

Influenza A - Gripe suína


Há duas semanas as secretarias da educação e da saúde do Estado de São Paulo, decidiram em conjunto com o sindicato das escolas, adiarem o retorno das férias de julho para dia 17 de agosto.

Encontrei duas justificativas para esta data. A primeira é que à partir de 17 de agosto o inverno entra em fase final começando a esquentar o tempo e a segunda é que duas semanas seria o prazo para os hospitais se prepararem para receber um número elevado de doentes já que a volta às aulas aumentaria o número de casos.

Várias mães, apesar de temerosas com a saúde de seus filhos, ficaram enlouquecidas em tê-los mais 15 dias trancados em casa, com a energia acumulada e subindo pelas paredes, principalmente porque na primeira semana choveram todos os dias.

Existem pessoas a favor e contra esta medida. Muitas famílias têm nas pré-escolas a única alternativa de deixar os filhos enquanto trabalham. Apesar do risco são pessoas que não tem muita opção. Ao seu lado estão vários educadores, principalmente da rede pública, que não conseguem enxergar tempo para reposição, já que as aulas irão até 20 de dezembro.

Por outro lado o risco em crianças parece ser alto e ambientes fechados são favoráveis à propagação do vírus, sem falar que crianças pequenas ainda não têm muito discernimento e acabam compartilhando mais do que brinquedos.

O vírus da Influenza A é um vírus mutante que se alastrou rapidamente (60% dos casos de gripe no Brasil já são por H1N1) O que é importante saber :

1. Beber muita água - no mínimo 1 e ½ litros por dia.

2. Fazer uma alimentação equilibrada à base de frutas e verduras, proteínas e carboidratos para fortalecer o sistema imunológico. Evitar gorduras e frituras. Aliás esta receita serve não só para combater a gripe, mas para todos durante toda a vida.

3. Lavar as mãos com frquência. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o vírus não é transmitido pelo ar e sim pelo contato com as gotículas de saliva ou pelo jato do espirro. Se alguém tosse ou espirra e as gotículas caem sobre um corrimão, por exemplo, e outra pessoa pega neste corrimão e coloca em seguida a mão na boca e nos olhos pode se contaminar. Por isso evite tocar boca e olhos antes de lavar as mão.

4. Evite aglomerações e lugares fechados. Para quem usa transporte coletivo, é recomendado passar álcool gel (procure, pois está difícil de encontrar) nas mãos e nas narinas antes e depois da viagem.

5. Mantenha a casa arejada.

A recomendação do Ministério da Saúde é que se procure um posto de saúde ou médico de confiança caso tenha os sintomas como febre repentina, tosse, dor de cabeça, dores musculares, dores nas articulações e coriza, evitando-se os hospitais.

É penoso ver nossos filhos em casa, mas é pior vê-los doentes, por isso cuidado redobrado e muita, muita, muita paciência. Logo o verão chegará e espera-se que o risco diminua.

Boa sorte

Vivian Braunstein

Fontes:
1.
http://www.fleury.com.br/Clientes/SaudeDia/Artigos/Pages/epidemia-gripe-suina-duvidas.aspx?iutm_source=site_fleury&iutm_medium=home_destaque&iutm_content=epidemia-gripe-suina&iutm_campaign=fmd#confirmacao


2. Prof. Dr. Odair Alfredo GomesLaboratório Morfofuncional: Faculdade de Medicina - UnaerpFone: 36036744 ou 36036795

3.
http://ultimosegundo.ig.com.br/gripesuina/2009/08/08/alunos+de+sao+paulo+rio+grande+do+sul+rio+de+janeiro+e+parana+ficam+sem+aula+7752940.html

4. Conselho regional de odontologia do Estado de São Paulo

domingo, 26 de julho de 2009

Eu quero !!!!!!!!

Foto: Grosby Group - 12/12/2008 - Suri Cruise

Quem ainda não se deparou com esta situação: Seu filho dentro de uma loja abraçado a uma caixa de algum produto como se fosse a última caixa de comida do mundo gritando “me compra, eu quero !!!!!!!!!” ?

Ou ainda: sentado à frente da televisão chamando por você quando passa a propaganda de algo que ele quer ?

Pode ser uma marca de bolacha, um salgadinho, um brinquedo, um livro uma roupa. Não importa. A criança aprende a consumir cada vez mais cedo.

Um terço da culpa é dos pais que acabam cedendo com mais facilidade para compensar as ausências, ou por terem vergonha dos ataques histéricos dos filhos dentro da loja ou até mesmo para compensarem a frustração de não terem tantas ofertas quando eles eram crianças. Outro terço da culpa é dos meios (televisão, internet e ponto de vendas) muito mais acessíveis e atraentes e o último terço é dos próprios filhos. Crianças, principalmente com menos de 6 anos, são superficiais, egocêntricas e imediatistas, o que faz com que desejem tudo o que vêem sem entenderem realmente para que precisam daquilo. É uma combinação explosiva de criança buscando autonomia e testando os pais, sendo super-estimulada pela mídia e recebendo em troca o que deseja, por causa da consciência pesada dos pais ou pela falta de paciência deles em sustentar a negação.

Então como conciliar o sim e o não e o que deve ser permitido ou negado ?

Esta é talvez a tarefa mais difícil na criação: a imposição de limites. É a partir de como os pais trabalham os limites que a criança moldará seu comportamento futuro. Muita permissividade cria adultos sem senso de realidade e respeito ao próximo e rigor ao extremo gera adultos frustrados que não se consideram merecedores de nada.

É importante lembra que na primeira infância a criança só consegue entender um ou dois atributos por vez, por isso é preciso cautela ao dialogar. Se você contar uma história muito complexa, ela não entenderá o seu ponto de vista e continuará pedindo tudo que vê.

Uma saída é a troca, ou seja um condicionamento com reforço positivo.

Exemplo: se a criança não quer se deitar no horário estipulado e fica “enrolando”, você pode fazer uma tabela com os dias da semana e cada vez que ela deitar-se no horário leva uma bolinha azul e quando ela não se deitar no horário leva uma bolinha vermelha. No final do período (mínimo 15 dias, caso contrário fica muito fácil) somam-se as bolinhas. Se a criança tiver mais bolinhas azuis ganha o presente que deseja.

Outra forma de fazer é desenhar uma escada e cada vez que a criança cumprir o horário uma estrelinha sobe um degrau, cada vez que descumprir, desce. Quando a estrelinha chegar ao topo a criança ganha o presente.

Nas duas formas é muito importante estipular os prazos e deixar as regras bem claras antes de começar a contagem, para que o condicionamento não perca credibilidade.

Desta forma a criança aprende que existem compensações, aprende a esperar e a escolher com um pouco mais de critério. É similar ao esperar para ganhar de dia das crianças ou de Natal de antigamente.

Sou particularmente defensora do respeito ao gosto dos filhos, que são indivíduos como nós. Não adianta querer vestir roupa azul se ele gosta de verde, mas também acredito na importância de colocar limites, pois existem coisas que não devem ser negociáveis. Elas são necessárias para que a criança cresça entendendo que existem certas obrigações que não podem deixar de ser cumpridas.

Enxergo três momentos diferentes na educação de um filho:

1. Condicionamento básico sobre educação e cidadania como não jogar papel no chão e dar a descarga. São conceitos que devem ser passados como naturalidade para que a criança incorpore à sua vida e se tornem ações automáticas.

2. Ações não negociáveis sobre saúde e higiene como tomar remédio e banho. Se não quiser vai na marra. Se vomitar toma outra dose.

3. Ações negociáveis que envolvem gosto pessoal. A negociação deve ser boa para ambas as partes. E neste caso entra atender ou não à alguns pedidos e a imposição de limites.

Consumir faz parte da sociedade em que vivemos. É a partir do que se consome que se mostra quem se é e a qual grupo se pertence, porém é preciso ensinar critérios desde cedo para que a criança torne-se um adulto consciente daquilo que consome.

Com crianças um pouco maiores é uma ótima oportunidade de ensinar a lidar com valores, poupar para comprar, etc, mas crianças de até 6 anos ainda não estão maduras neurologicamente para compreender operações muito complexas, por isso o condicionamento pode ser de grande ajuda. O importante no final é ter coerência entre o que se fala e o que se faz para não confundir a cabecinha delas.

Bjs e boa sorte

Vivian Braunstein

domingo, 12 de julho de 2009

Retenção escolar – Parte 2


Para entender este artigo é preciso ler primeiro o da semana passada.

Como algumas mães me escreveram contando sobre seus filhos, que ficaram retidos pela idade mesmo estando aptos à alfabetização ou sobre os que passaram sem estarem prontos e precisaram refazer o 1º ano, resolvi pesquisar mais um pouco.

Acredito ter deixado bem clara a minha posição sobre ser extremamente louvável a idéia do governo em aumentar um ano no ensino fundamental principalmente para os alunos da rede pública. Com esta medida espera-se que a criança ao ingressar na escola ainda na fase do lúdico, tenha uma vivência agradável do ensino evitando-se assim a evasão no futuro, pois é muito melhor “pegar o gosto” quando o brincar ainda é mais importante do que no momento da obrigação.

Nas escolas particulares a coisa é um pouco diferente, pois a maioria das famílias coloca seus filhos por volta dos 3 anos e desta forma o ensino pode ser estruturado acompanhando-se o desenvolvimento neurológico da criança, principalmente em estabelecimentos que vão da pré-escola ao ensino médio, onde há coesão na linha do projeto pedagógico ao longo da vida da criança.

O que delimitou a faixa de ingresso no ensino fundamental foi a deliberação CEE nº 73/2008 que coloca a idade de 6 anos completos até 30/06 como limite.

Conversei com uma pedagoga para entender essa limitação e ela me explicou que os alunos em curso não serão retidos simplesmente pela idade, e sim aqueles que ingressarem na escola a partir de 2009. (Isso também não fica muito claro na deliberação)

Não tenho nada contra a retenção, desde que seja feita usando-se como critério o desenvolvimento neurológico da criança e sua capacidade em ser alfabetizada, e não a data de nascimento da criança dentro do mesmo ano. Relembrando ainda que o MEC recomenda que as atividades do primeiro ano não sejam uma “transferência” das atividades da antiga 1º série, e sim um período de transição da educação infantil para o ensino fundamental. Ou seja, em lugar nenhum se recomenda a alfabetização no 1º ano. Segundo a pedagoga com quem conversei, não está em nenhuma lei, mas muitas escolas trabalham com o ciclo de alfabetização que inicia-se no primeiro ano e termina no 3º ou 4º dependendo do projeto pedagógico da escola. Ela também comentou que às vezes tem crianças mais novas com maturidade para alfabetização e maiores que ainda não estão maduras.

Acho que este assunto ainda dará muita discussão, mas continuo acreditando na avaliação individual feita em conjunto entre escola e pais, pois não existe criança padrão.
Espero ter esclarecido algumas dúvidas de vocês.

Bjs e boa semana.

Vivian Braunstein

domingo, 5 de julho de 2009

Retenção escolar antes do primeiro ano


Ao procurar uma nova escola para meu filho esta semana me deparei com uma informação que desconhecia. CRIANÇAS COM 6 ANOS COMPLETADOS À PARTIR DE 01 DE JULHO FICARÃO RETIDAS NO ÚLTIMO ANO DA EDUCAÇÃO INFANTIL, pois o ingresso ao primeiro ano só será permitido a quem completar 6 anos até 30 de junho.

Obtive esta informação em 4 escolas de primeira linha na cidade de São Paulo, com a justificativa de que era uma nova lei e as escolas tem até 2010 para se adequar. Como meu filho cairá nesta “malha fina” e não sou uma pessoa que se conforma muito com retrocessos, a não ser que muito bem justificados, fui investigar.

Encontrei as leis 9394/1996; 11.114/2005 e 11.274/2006 sobre educação, que regulamentam as novas diretrizes escolares e que aumentam o ensino fundamental (6 a 14 anos) de 8 para 9 anos. Mas não encontrei nenhuma referência ao semestre de nascimento da criança. O que achei foram vários sites e blogs que analisam as leis e que deixam claro que seu intuito é aumentar a permanência escolar sem causar rupturas ou traumas ao processo de aquisição do aprendizado. Também fica claro nesta discussão que não se trata de “baixar” o ingresso à antiga primeira série, onde se dava o início da alfabetização e sim criar uma ponte entre a pré-escola e o ensino fundamental.

É claro que esta medida foi tomada para dar um pouco mais de condições às crianças que freqüentam a escola pública, pois se não é obrigatório, muitos pais não matriculam seus filhos. Infelizmente esta é a realidade do nosso país, onde a população carente nem sempre tem compreensão da importância do ingresso dos filhos na escola.

A idéia é super válida, mas as escolas particulares parecem ter definido algumas regras que sinceramente não encontrei. Aliás estão completamente em oposição ao pretendido pelo MEC, que mostrou intenção em fazer a criança se interessar pela escola e não o contrário.

Se ela tem maturidade suficiente para seguir porque ficar retida? De onde saiu esta data de 30 de junho como limite? Se alguém souber favor me avisar, pois realmente não encontrei.

O que achei foi um power point com as explicações do MEC e o blog de um assessor jurídico de Recife afirmando que se a criança tiver 6 anos incompletos, mas maturidade suficiente, deve ir para o segundo ano, sem cursar obrigatoriamente o primeiro. Conheço pais de alunos de escola pública que conseguiram isso.

Outro “gato” que está acontecendo na prática é que as escolas estão afabetizando no primeiro ano, ao contrário do sugerido pelo MEC. O que pareceu é que a lei oficializou o antigo pré-primário, mas as escolas “puxaram” um ano. O que isso reflete na prática?
Muitas crianças ainda não estão aptas a serem alfabetizadas com 6 anos (independente de serem do primeiro ou segundo semestre) e a experiência do primeiro ano vira uma angustia para elas, para os pais e para a própria escola.

Meu conselho a todos que tem filhos entre 4 e 5 anos com aniversário no segundo semestre é que conversem com a coordenação pedagógica da escola aonde seu filho estuda e verifique como a lei está “afetando” a escola. Algumas já estão separando as turmas no último ano para evitar rupturas bruscas.

Por mais que a escola “jure de pé junto” que a criança se adapta bem, nem sempre isto é uma realidade. Até os 7 anos ela está formando seus conceitos e sua personalidade e consegue absorver um ou dois atributos por vez. É mais ou menos como se sua compreensão fosse em 2D enquanto a de uma adulto é em 3D. Por isso é muito importante a parceria pais-escola na definição de qual a melhor solução individual, a fim de preservar o bom desenvolvimento da criança para que este fato não se torne um problema mais para frente.



domingo, 28 de junho de 2009

Personagens


Esta semana apresentei a monografia de conclusão do meu MBA, falando sobre personagens e consumidor infantil. Foi um início de semana tenso, mas compensador, pois tiramos 10.

Gostaria de agradecer a todos que de alguma forma colaboraram para tornar este sonho realidade. Às amigas do grupo que se dedicaram brilhantemente, à nossa orientadora, às profissionais da banca por seus comentários pertinentes e construtivos, aos amigos queridos que colaboraram com a pesquisa, àqueles que mesmo não tendo filhos pequenos torceram e nos apoiaram mas principalmente gostaria de agradecer ao meu marido e filho que suportaram até que bem as minhas ausências.

Estou feliz e quero compartilhar com vocês um pouco da influência que estes misteriosos seres em 2D podem exercer sobre as crianças. Em nossas pesquisas constatamos que vários profissionais sérios da área de psicologia e pedagogia já se renderam aos personagens de animação por constatarem (através de pesquisas de campo) que sua influência é mais benéfica do que maléfica.

A criança, ao entrar na fase da fantasia, por volta dos 3 anos, identifica-se com os personagens bons, mesmo que eles usem de pequenas trapaças para conseguir se defender. É o caso do Pica-Pau. Assim como vários pais, sempre acreditei que fosse um personagem antiético e maldoso, mas um estudo da LAPIC (Laboratório de pesquisa sobre a infância, imaginário e comunicação ECA – USP) conduzido por Elza Pacheco concluiu que a criança não enxerga a violência e sim a vitória do pequeno sobre o grande através da astúcia.

Muitas mães não acreditam que os personagens tragam benefícios aos filhos, mas se dosados, podem sim ajudar a construir uma relação mais segura com o mundo real. Que criança não acordou no meio da noite com medo de algum tipo de monstro? Ter um super-herói ou um príncipe à mão para acalmá-la pode ser uma boa pedida.

E a dificuldade em passar a criança do berço para cama ? Um lençol do Barney não ajudaria ? Esta foi a principal motivação que me conduziu a este tema.

É muito difícil argumentar algumas coisas com a criança, pois na fase de oposição ela simplesmente não quer ouvir. Alguns estudiosos do comportamento afirmam que os condicionamentos são muito mais fáceis quando o reforço é positivo e não negativo, por isso a criança responde melhor ao estímulo “se comer ganha o chocolate depois” do que “se não comer, não ganha o chocolate”. Existem psicólogos e pedagogos que não concordam, mas na prática é muito mais fácil convencer a criança através de gratificações do que através de palavras.

Vamos criar seres consumistas ? Talvez, mas tudo na vida funciona a base de trocas. Podemos até trabalhar naquilo que gostamos, mas o fazemos pela remuneração. Não estou aqui para julgar a sociedade em que vivemos, nem tenho base para isso, mas para tentarmos tirar melhor proveito dela a fim de termos uma vida feliz e criarmos filhos que se adaptem da melhor maneira possível neste mundo cada vez mais maluco em que vivemos.

A fase da fantasia existe, e pode atingir a criança em maior ou menor grau, dependendo da influência que sofre da família, amigos e das mídias. A melhor forma de lidar com ela é direcionando seu filho pelo caminho que você acredita ser o correto. Alguns pais estimulam mais e outros menos. O que não se deve fazer é proibir ou ignorar. É importante se fazer presente aproveitando o gancho para introduzir os seus conceitos de valores.

Em oito meses de estudo sobre este assunto me deparei com autores que acreditam no uso de audiovisual (desenho animados e programas educativos) em sala de aula e outros que reprovam totalmente estas técnicas.

Acredito que como tudo na vida, se a fantasia for estimulada na dose certa, pode conduzir sim a criança à fase adulta de uma forma mais tranqüila, mas qual é esta dose irá depender da criança e do meio aonde está inserida.

Cabe aos pais encontrar este ponto de equilíbrio e aplicar no dia a dia, pois os personagens são uma realidade na vida da criança e por mais que você não acredite ou estimule, ela dará um jeito de tê-lo por perto, nem que seja somente em sua imaginação.

Bjs e obrigada

Vivian Braunstein