COMENTÁRIOS

Queridas mãe,

É sempre um prazer receber e compartilhar seus comentários à respeito dos post x suas experiências e dúvidas, todos sempre são publicados com muito orgulho, mas peço um enorme favor : NÃO MENCIONEM MEDICAÇÕES em seus comentários pois não poderei publicar. Não somos médicas e sim mães. Somente um médico pode receitar medicamentos e às vezes um remédio que é excelente para uma criança não faz efeito em outra podendo causar mais danos do que melhora.
Sei que posso contar com a compreensão e ajuda de vocês.

Obrigada por acreditarem nas minhas palavras e por compartilha-las.

Bj

Vivian Braunstein

PARA REFLETIR

Uma vez Fernanda Montenegro respondeu à Marília Gabriela que ser mãe é não dormir nunca mais. Concordo e acrescento: ser mãe é não parar de se preocupar nunca mais. Toda mãe é um pouco médica para cuidar, um pouco engenheira para construir com Lego, um pouco escritora para inventar histórias na hora de dormir, um pouco professora na hora de ensinar e muito mãe na hora de amar.







segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Inclusão escolar e redes sociais

Imagem : http://discutindosobreinclusao.pbworks.com/f/1214860493/82ab.jpg.gif


“A educação inclusiva é uma força renovadora na escola, ela amplia a participação dos estudantes nos estabelecimentos de ensino regular. Trata-se de uma ampla reestruturação da cultura, da nossa práxis e das políticas vigentes na escola. É a reconstrução do ensino regular que, embasada neste novo paradigma educacional, respeita a diversidade de forma humanística, democrática e percebe o sujeito aprendente a partir de sua singularidade, tendo como objetivo principal, contribuir de forma que promova a aprendizagem e o desenvolvimento pessoal para que cada um se construa como um ser global” Elisete Camargo Zimmermann. Disponível em :
www.webartigos.com/articles/5190/1/Inclusao-Escolar/pagina1.html

Mesmo sendo lei desde 1996, só agora a inclusão de crianças com deficiência na rede de ensino vem ganhando corpo. Esta ação vai além do direito e se mostra muito rica e construtiva num mundo sem fronteiras. Via de mão dupla, inclui pessoas com competências e potencialidades a serem exploradas num grupo social e auxiliam as crianças a enxergarem as diferenças como uma coisa normal. O fato de existir um cadeirante na turma do seu filho da mesma forma como existem crianças que não usam cadeira de rodas, ajuda a construir uma imagem positiva das diferenças. Sem contar no benefício para as crianças inclusas, que em grupos conseguem desenvolver-se melhor.

Sempre ressalto a importância de passarmos valores aos nossos filhos e este é mais um valor que a escola traz num momento oportuno, já que vivemos num mundo aonde não é mais possível ter o controle total com quem nossos filhos se relacionam.

Conheço mães que escolhem as amizades de seus filhos usando os mais diversos critérios (eu uso os valores familiares), mas a partir do momento que eles aprendem a usar as redes sociais isso vai por água abaixo.

Como fazer então para não controlar demais a criança e também não deixar as coisas “correrem soltas” ? Valores bem estruturados na primeira infância, até os 6 anos quando a criança está formando sua personalidade são de extrema importância, mas não são tudo. Uma criança é um HD vazio que vai se enchendo de informação ao longo da vida e nem sempre é possível controlar a qualidade da informação.

A educação humanista, baseada em valores e respeito à diversidade vai auxiliar os pais nos momentos mais difíceis da passagem para adolescência.

A vida é dinâmica e o corpo frágil. Assim, todos nós estamos sujeitos às adversidades, por isso pense bem antes de excluir alguma criança para a próxima festinha de seu filho.

Bjs e boa sorte.

Vivian Braunstein

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Reflexões sobre a escola

Foto: http://www.discoverykidsbrasil.com/personagens/princesas_do_mar/galeria/2.shtml

Todo começo de ano escuto mães elogiando, reclamando e se questionando sobre a escola dos filhos. Talvez o problema não seja a escola em si e sim a incompatibilidade das expectativas dos pais com ela.

Para escolher a escola ideal para seu filho é preciso ter muito claro alguns pontos. Não existe unanimidade. Uma determinada escola pode ser excelente para uma criança e péssima para outra. Faça uma lista objetiva do que você espera. É importante ter bem claro a relação de expectativas x produto oferecido.
Se vocês são pais que buscam bons relacionamentos, por exemplo, saibam que precisarão investir mais do que o valor da mensalidade. Para ser aceita no grupo, a criança precisa compartilhar gostos e ações comuns. Não se faz relacionamento de segunda a sexta por ½ período. Seu filho terá de ir a festas (presente), cinema, lanchonete, clube, etc... Isso sem contar as roupas e acessórios que são moda no grupo.

Outros pais buscam o preparo para ingresso em boas faculdades de cursos tradicionais como medicina, engenharia e direito. Estes pais se frustram quando a escola segue uma metodologia diferente da tradicional que é baseada no aprendizado por repetição (a famosa “decoreba” – repete, repete até entrar por osmose). Nada contra este método, muito pelo contrário, a maioria dos adultos com mais de 40 anos estudou assim e temos inúmeros profissionais bem sucedidos no mercado, mas existem outros que estimulam o aluno a pensar e desenvolvem a curiosidade que leva à pesquisa (Como isso acontece, porquê acontece, de onde vem).

Por isso é importante conhecer a escola antes de matricular seu filho. Quando visitei a do meu, fiquei encantada com o discurso da orientadora sobre um projeto aonde as crianças do infantil pesquisavam sobre idade média, reis e castelos a partir de um conto de fadas.

Por outro lado conheço mães que não se sentem confortáveis com este tipo de didática por acreditarem que não estimula seus filhos o suficiente nas áreas que acreditam ser vitais nos estudos. Para elas recomendo a escola tradicional. Porém é preciso ter cuidado para não criar conflito entre as expectativas dos pais e a personalidade dos filhos. Não adianta querer que uma criança extremamente curiosa e aventureira passe as tardes estudando os pintores renascentistas. Provavelmente ela não será uma boa aluna. Não por incapacidade, mas por incompatibilidade. Ela achará tudo chato e se desinteressará pelos estudos, ao passo que, se estivesse numa escola que trabalha o aprendizado por competências, talvez reproduzisse as pinturas renascentistas na aula de artes, e se desenvolveria melhor.

Sempre disse que se a criança não tem problemas físicos ou neurológicos que prejudiquem a aprendizagem, não existe mau aluno e sim aula mal dada ou inadequada ao seu perfil.

Existem inúmeras razões para colocarmos nossos filhos numa escola e não em outra (proximidade de casa, grupos sociais, nome da escola, valor da mensalidade, indicação de amigos ou da mídia), mas que dentro destes critérios entre também o estilo da criança. A escola e o estudar precisam ser encarados pelos pais como o preparo para a vida adulta da criança em todos os aspectos e por isso deve ser uma experiência agradável, afinal ela passará no mínimo 13 anos de sua vida lá.

Reflitam bem e boa sorte.

Vivian Braunstein

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Problemas com o cocô ? Pode ser prisão de ventre.

Leia toda a história em : http://www.monica.com.br/comics/penico/pag1.htm


Muitas mães (de meninas e meninos) comentam da dificuldade de tirar a fralda do cocô. Mesmo que a criança já use calcinha ou cueca pede para fazer na fralda, ou segura até passar mal. Se você é uma dessas mães, bem vinda ao clube. De tanto passar por isso fui investigar e descobri que o motivo pode não ser só para chamar minha atenção como vários psicólogos já me falaram.


Vamos começar do início. A maioria das mães, inclusive eu, tiram a fralda quando a criança começa a avisar que vai fazer xixi, por volta dos 2 anos, por achar que ela está preparada para controlar tudo da cintura para baixo. Pois descobri, tarde demais, diga-se de passagem, que se deve tirar primeiro a fralda do cocô, ou seja, treinar a criança a usar o penico primeiro para a evacuação das fezes para depois ensina-la a controlar a urina. Fica a dica para quem está começando o desfralde.


E se a retenção ou evacuação na fralda não é só um problema psicológico, de querer chamar atenção ou falta de aprendizado, o que poderia ser? Prisão de ventre.


Na criança a prisão de ventre não significa somente falta de evacuação e sim a dificuldade em evacuar, porque ela precisa esforçar-se para fazê-lo. Segundo Sofia Benini[1] “a constipação intestinal, ou prisão de ventre, acomete quase 30% das crianças de 1 a 12 anos, segundo dados da UFRJ, e representa o motivo de 3% das consultas pediátricas em geral”. Muitas vezes a criança sente-se mais confortável fazendo em pé e por isso não quer deixar a fralda.


Segundo especialistas, os sintomas abaixo são sinais de prisão de ventre:


1. Força para evacuação seguida ou não de dor


2. Fezes endurecidas, ressecadas e aumentadas


3. Longos intervalos de evacuação maiores do que 24h, ou seja, dois a três dias, o que faz com que a criança faça menos de 3 cocôs por semana.


4. Pequenos sangramentos junto com as fezes ou no momento da limpeza.


5. Mais de um escape de pouca quantidade de cocô líquido parecido com diarréia, mas que se deve às fezes endurecidas no intestino.


6. Criança que segura o cocô por medo da dor, do sangramento ou da sujeira (do cocô e/ou do banheiro).


A prisão de ventre pode ser momentânea ou crônica. No primeiro caso acontece devido às mudanças alimentares por causa de alterações na rotina como viagens, estadia prolongada na casa de parentes, ausência de um dos pais ou pela ingestão de certos medicamentos. Muitas vezes o motivo da retenção que leva a prisão de ventre pode estar associado ao vaso sanitário de um local diferente ao da casa, o que leva a criança a reter as fezes endurecendo-as e provocando a dor. É um condicionamento que precisa ser revertido. Por exemplo: uma vez que ela reteve as fezes por ter medo do vaso sanitário marrom (enquanto o da sua casa é branco) e sentiu dor, ela poderá associar o fazer cocô a dor, e manterá a postura de retenção. A pressão dos pais para que ela faça pode piorar a situação, fazendo-a imaginar que fazer cocô é a pior coisa do mundo, pois o vaso parece um monstro, a barriga e o bumbum doem e o papai e mamãe brigam com ela por causa disto. Neste caso use de subterfúgios lúdicos. Eu “chamei” a fada do cocô, que com seu pozinho mágico ajudou meu filho a fazer. (parênteses – amo as fadas, elas são as maiores aliadas das mães nos momentos de aperto – fecha parênteses)


Quando os sintomas são crônicos, eles aparecem gradualmente e podem ser causados por alimentação pobre em fibras ou muito protéica, por constituição física (intestino muito longo ou muito curto), hereditariedade ou por doenças como raquitismo e desnutrição. A pressão dos pais no desfralde também pode causar prisão de ventre crônica. Neste caso é essencial a análise de um médico.


Em qualquer um dos casos, a alimentação é a melhor aliada. Abaixo alguns alimentos a serem evitados e outros a serem acrescidos na dieta de crianças com prisão de ventre:


Evitados :


Banana, maçã, arroz, goiaba, frutas verdes, alguns leites em pó, alguns achocolatados.


Acrescentados:


Alimentos ricos em fibra, legumes verde escuros, ameixa, uva passa, castanhas (caju, nozes, portuguesa), Iogurte.


No mais faça o momento do cocô parecer uma brincadeira. Deixe livros, brinquedos e massinha no banheiro para que seu filho/a se distraia e encare o momento como algo legal e não como um castigo.

Bjs e boa sorte.

Vivian Braunstein



[1] Disponível em :

http://revistapaisefilhos.terra.com.br/htdocs/index.php?id_pg=121&id_txt=2722&break=1

Fonte:
http://falamamae.com/tag/coco
Gonsalves, Paulo Eiró – Tudo sobre a criança: perguntas e respostas. São Paulo: IBRASA, 2003.
Warren, Penny. Kelly, Paula – Tirar a fralda sem choro e sem trauma. São Paulo: Ground, 2008.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Viroses de Verão



Com a chegada do verão e das férias aumenta o transito de pessoas entre cidades e estados, propagando assim as chamadas viroses de verão, que já se manifestaram no litoral Norte e interior de São Paulo e no Rio de Janeiro.

No Guarujá a Sabesp garante que a contaminação não se deu pela água tratada e em Ubatuba as autoridades acreditam que o vírus esteja no ar. No interior de São Paulo também houve aparecimento de casos, o que prova que não se trata de uma doença “exclusiva da praia”. Como não se sabe ao certo de onde vem o vírus, o melhor a fazer é se prevenir.

Beba somente água filtrada e fervida ou mineral, evite consumir gelo fora de casa e só coma alimentos de boa procedência. Raspadinha na praia é uma delícia, mas acho que todos lá de casa contraímos a virose assim. Na dúvida evite, evite, evite.

Independente do vírus, os sintomas mais comuns são: diarréia, náuseas, vômito, dor de barriga, dor de cabeça e febre.

Se surgirem os sintomas prepare o soro caseiro para evitar desidratação (talvez a pior conseqüência da virose), tome um antitérmico e procure um médico ou posto de saúde para certificar-se de que se trata realmente de virose e não de intoxicação alimentar (que requer cuidados médicos imediatos por ser mais grave).

Para fazer o soro caseiro siga as recomendações abaixo:

1. Misture em um litro de água mineral, filtrada ou fervida (mas já fria) com uma colher (do tipo de cafezinho) de sal e uma colher (do tipo de sopa) de açúcar.

2. Mexa bem e dê à criança em pequenas colheradas.

3. Um erro nas medidas pode provocar convulsão em uma criança desidratada. Assim, para evitar erros, pegue uma colher-medida nos postos de saúde de governo. Em um copo com água filtrada coloque uma medida rasa de açúcar (do lado maior da colher) e uma medida rasa de sal (do outro lado da colher).

4. O soro caseiro é usado para combater a desidratação em casos de intoxicação alimentar, insolação ou diarréia ou vômitos.

Outras recomendações médicas e de autoridades é a ingestão de muito líquido (água, sucos, água de côco), uso de protetor solar nos fatores adequados a cada tipo de pele, evitar o sol nos horários de pico das 10:00 às 15:00h, evitar aglomerações, evitar alimentos e bebidas de procedência duvidosa e lavar bem as mãos (básico sempre – evita várias doenças).

Alguns petiscos de praia até são preparados com critérios de higiene, mas transportados sob o sol sem refrigeração, por isso cuidado com alimentos expostos, pois podem causar intoxicação alimentar.

Última recomendação para quem vai à praia. Criança e mar, rio ou piscina podem ser uma combinação perigosa. Nunca deixe seu filho menor de 10 anos (por causa do tamanho e peso) sem supervisão. Evite mais uma dor de cabeça. O mar e os rios sofrem influências dos ventos e das correntes “arrastando” as pessoas para áreas mais fundas sem que elas percebam e se não dá pé para um adulto imagine para uma criança.

Depois de todos os cuidados é só se divertir !!!!!!!!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Salve a diversidade !!!!!!!!

Foto:www.africatodayonline.com/.../

Hoje fui coagida por uma vizinha a proibir que meu filho e a babá fiquem no hall do prédio, pois ela acredita que “um monte de babás sentadas no sofá denigre a imagem do condomínio”. Fiquei tão chocada que não consegui responder nada na hora.

É uma moça nova, que eu nunca tinha visto antes, e que provavelmente não tem filhos, mas e quando tiver ? Vai escondê-los dentro do armário ? Vai contratar uma babá com curso universitário para não ficar constrangida quando sair em público ? Ou pior vai tratá-la como cachorro ?

Depois que passou minha raiva comecei a pensar no tipo de educação que damos a nossos filhos.
Hoje é imprescindível que eles aprendam a conviver com a diversidade, pois do contrário, não sobreviverão na sociedade que está se desenhando a partir da globalização e do acesso à informação. A chamada classe D tem computador em casa e não é mais ignorante (no sentido literal da palavra de desconhecimento). Vários profissionais de marketing nem classificam mais as pessoas por classes sociais (valor ligado à condição financeira) e sim ao estilo da pessoa. Desta forma grupos com gostos em comum, mas bolsos diferentes entram na mesma classe.

E é isso que devemos passar para nossos filhos. Devemos ensiná-los que dinheiro no bolso ou cor de pele não são critérios para seleção de relacionamentos e sim pessoas com objetivos em comum. Conheço pessoas que correm atrás de relacionamentos baseados em poder aquisitivo e nunca saem do lugar.

Temos o privilégio de vivermos num mundo onde a informação está cada vez mais acessível, por isso é incompreensível que alguém se ache mais que o outro. Já falei uma vez sobre valores e continuo acreditando que são os bens mais preciosos que deixamos para nossos filhos. É preciso ensiná-los desde cedo a respeitar o próximo (independente de quem seja), a serem cordiais, a acreditarem numa religião.

Valores são tão importantes na formação do caráter quanto a imposição de limites e assim talvez aquele viral que circula na internet sobre pais brigando com a professora por ter reprovado seu filho mal aluno, deixe de existir.

Bjs

Vivian Braunstein

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Quando os pais se separam

Ao ter um filho, o casal deve estar consciente de que uma criança (que não pediu para vir ao mundo) precisa de amor, proteção, educação e regras para crescer saudável e tornar-se um adulto equilibrado.

Hoje é cada vez mais comum a participação do pai na criação dos filhos e está cada vez mais claro que um ambiente familiar estruturado promove crianças psicologicamente saudáveis. Na teoria tudo é lindo, mas na prática nem sempre as coisas funcionam desta forma.

Com a evolução da sociedade e as conquistas femininas, a mulher adquiriu independência financeira e perdeu o medo de separar-se quando o casamento não está mais dando certo; o que traz uma nova realidade familiar : A de uma criança com duas casas.

Escutei recentemente de um pai, que na maioria dos casos de divorcio, o homem casa-se novamente e tem outros filhos constituindo nova família. Então, como proceder para que este processo não crie problemas emocionais futuros ?

Primeiro é preciso entender o que acontece na cabeça da criança quando ocorre a separação : Antes dos 6/7 anos ela é egocêntrica e acredita ser sua a culpa do fracasso do relacionamento dos pais. Se estiver na fase edipiana, piorou, pois vê seus desejos se tornarem realidade. Muitas vezes ela regride nas conquistas da autonomia, torna-se agressiva ou introspectiva, “pegando as dores” do cônjuge que parece ter sido abandonado (principalmente se o outro casar-se logo).

É necessário muito cuidado para ajudá-la a superar a ruptura de uma relação parental. Primeiro, é preciso ter em mente que o casal deixou de ser marido e esposa, mas jamais deixará de ser pai e mãe e a criança deve ficar sempre de fora das negociações e brigas judiciais, afinal ela não tem nada a ver com a relação homem-mulher dos pais.

Como na maioria dos casos de separação, a guarda dos filhos fica com a mãe, o pai não deve sumir (ele separou-se da esposa e não deles), mantendo uma rotina de encontros (estabelecida pelo ex-casal ou juiz) e obrigando-se a cumpri-la. A pior situação para uma criança é ficar sentadinha, pronta, esperando por um pai que não aparece, ou que aparece dias depois com uma desculpa esfarrapada. Importantíssimo : por mais que os adultos recomponham sua vida, não podem esquecer que seu filho (a) faz parte dela e que devem ter tempo em suas agendas para ele (a). O mesmo vale para situação inversa, quando a guarda é do pai. Filhos precisam sentir-se queridos, independente de quantas casas tenham.

É importante também, que a imagem dos pais seja preservada, pois continuarão a ser o modelo de comportamento, por isso nada de falar mal do outro, nem bagunçar a vida das crianças, mesmo que estejam em litígio. Isso não ajudará nas negociações do divorcio e aumentará a angustia delas, que terão que conviver com o dualismo entre o amor e ódio que os rodeiam no momento.

Muitas mães abrem mão da sua felicidade em prol dos filhos “traumatizados”, mas segundo especialistas, a recomposição da família em conseqüência de um segundo casamento pode ser benéfica já que traz uma nova reconfiguração familiar. Porém padrasto e madrasta não devem interferir em decisões exclusivamente parentais como assuntos escolares e médicos. Este tipo de interferência é muito comum, afinal trata-se de um assunto pessoal do cônjuge. Cuidado ! Por mais amor que um padrasto ou madrasta possa ter pelos filhos de sua parceira ou parceiro; quando a criança tem pai e mãe vivos a responsabilidade é deles. Cabe aos primeiros auxiliarem na educação e modelo de comportamento, principalmente porque os sentimentos da criança são ambíguos em relação a eles. Ao mesmo tempo em que sente afeição, acredita estar “traindo” seu pai /mãe por estar substituindo alguns momentos felizes que poderia estar passando junto com ele (a).

Não é fácil separar-se quando existem outras vidas envolvidas, e por isso, muitos casais mantêm-se juntos mesmo desejando secretamente estarem separados. Apesar do turbilhão de sentimentos conflitantes que aparecem com uma separação é preciso entender que as crianças precisam de serenidade e atenção para superarem esta etapa de suas vidas e seguirem com suas conquistas de forma saudável e equilibrada.

Referências :
Mil dicas para entender seus filhos de 0 a 7 anos -Harry Ifergan e Rica Etienne

Manual de mães e pais separados - guia para a educação e a felicidade dos filhos - Marcos Wettreich



Bjs e boa sorte

Vivian Braunstein

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Violência Infantil e Bullying


O caminho da sociabilização e do aprendizado não é nada fácil para uma criança. Indo cada vez mais cedo para a “escollinha”, estamos criando a geração “filhos da creche” e este fato traz conseqüências positivas e negativas ao mesmo tempo.

Socializando cada vez mais cedo, a criança passa por algumas etapas que requerem observação. É comum uma criança de 1,5 anos morder na disputa por objetos ou pela atenção de um adulto, pois ainda não consegue verbalizar seus desejos nem compreender os desejos do outro (egocentrismo). Já a partir dos 3 anos quando a fala está estruturada, ela aprende a “negociar”.
A partir dos quatro anos quando tem um repertório mais complexo, pode utilizar a fala para atingir outras crianças que sejam diferentes do grupo.

Hoje, com o acesso a informação cada vez mais fácil, uma menina que não “é princesa” e não liga para Barbie ou um menino que não monte em tudo e não saiba quem é o Ben 10 podem ser excluídos do grupo num estalar de dedos.

Ouvi relatos de mães sobre as “panelinhas” intransponíveis que suas filhas haviam formado, deixando outras de fora. Já os meninos amadurecem mais lentamente e nesta idade estão cheios de hormônios o que faz com que alternem o bater ao dialogar. Tem épocas que são “quase adultinhos” e outras voltam a ser “quase bebês”.

Em ambos os casos, vemos o reflexo da violência: moral para as meninas e física para os meninos. A preocupação deve ser a de evitar que estas atitudes sejam recorrentes, pois podem se transformar em Bullying na fase seguinte (dos 7 aos 18 anos).

Sem tradução para o português, o Bullying é o comportamento agressivo que ocorre contra o outro sem motivos justificados. Ameaças, assedio moral, agressões físicas e verbais que coloquem a outra criança em situação de desconforto, normalmente na frente de outras crianças. Este comportamento sempre existiu, mas recentemente psicólogos, educadores e pais têm se preocupado mais devido às conseqüências como a queda de rendimento escolar e em casos mais raros o suicídio.

Como evitar o Bullying na infância ?

Controlando a agressividade na pré-infância. Nesta fase a criança ainda enxerga nos pais a referência e contam o que acontece na escola. Seu comportamento também é bem transparente, ou seja, ela fará na sua frente exatamente o mesmo que faz pelas suas costas, por isso fica fácil conhecer o comportamento de seu filho e orientá-lo enquanto ele ainda escuta seus conselhos como se fossem verdades quase absolutas.

Crianças que excluem e são excluídas acabam tendo problemas de relacionamento, insegurança ou excesso de autoconfiança na fase adulta. Precisamos lembrar que a base da personalidade do indivíduo é formada até os 6 anos e depois é preciso um trabalho de auto-análise muito forte para mudar alguns comportamentos adquiridos deste período.

Segurar a mão e a língua de uma criança também fazem parte do educar. A maioria dos profissionais aconselha a conversar, a dar amor e impor limites claros, aos invés de bater e por de castigo; comportamentos que podem reforçar a violência infantil.

Caso seu filho / filha sofram com a discriminação, é preciso reforçar sua auto estima e orientá-lo a buscar uma participação no grupo ou juntar-se a outro grupo.

Não é fácil para eles e não é fácil para nós. Ninguém quer ver seu filho excluído ou excluindo alguém. Cabe a nós darmos o exemplo e mostrarmos que há crescimento com a diversidade. E só assim estaremos preparando nossas crianças para uma vida saudável e estruturada.

Bjs e boa semana

Vivian Braunstein